CBF deixa a Seleção à deriva

A tão aguardada espera por Carlo Ancelotti, 64 anos, chegou ao fim, mas não da maneira que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) havia planejado. Nesta sexta-feira (29), o Real Madrid anunciou a renovação do contrato com o italiano até 2026, frustrando os planos da entidade de tê-lo como treinador da Seleção Brasileira em 2024.

O desfecho representa um golpe significativo para a CBF, que enfrentou uma temporada desastrosa desde a saída de Tite após a última Copa do Mundo, em 2022, no Qatar. Ao longo de 2023, a entidade apostou em dois interinos, Ramon Menezes e, posteriormente, Fernando Diniz, este último contratado com a expectativa de ceder espaço para Ancelotti.

O acordo com Ancelotti, aparentemente costurado por Ednaldo Rodrigues, destituído pela Justiça do Rio de Janeiro, causou tumulto político na CBF. A escolha de Jose Perdiz, presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), como interventor, agravou ainda mais a crise.

Enquanto a política tumultuada se desenrolava nos bastidores, a seleção brasileira enfrentava uma crise técnica em campo. As derrotas inéditas nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, somadas ao desempenho instável de Fernando Diniz, resultaram em um período conturbado.

Diniz, anunciado em julho de 2023, fechou a temporada com o terceiro pior início de um treinador à frente da seleção, registrando uma sequência de derrotas nas Eliminatórias e um aproveitamento de apenas 39%. A ausência de vitórias convincentes e o revés como mandante contra a Argentina no Maracanã aumentaram as dificuldades.

O histórico da seleção brasileira, mantido pela RSSSF Brasil, destaca Diniz como o terceiro treinador com pior início, atrás apenas de Paulo Roberto Falcão e Chico Netto. A pressão sobre Diniz aumenta, especialmente considerando o cenário de reformulação do elenco após os fracassos nas últimas Copas do Mundo.

Apesar das estatísticas desfavoráveis, Diniz defende seu trabalho como parte de um processo de mudança e lamenta a perda de Neymar, cuja lesão grave o afastará por até 12 meses. O futuro do comando da seleção brasileira permanece incerto, com a indefinição sobre quem estará à frente da equipe na próxima Copa América, em 2024, nos Estados Unidos.

A turbulência política na CBF, envolvendo uma intervenção judicial e desafios da FIFA e da Conmebol, complica ainda mais a situação. Enquanto a Justiça brasileira determina eleições em janeiro, entidades internacionais buscam inspecionar a situação antes de reconhecer qualquer mudança. O desfecho dessa trama política pode influenciar diretamente o futuro da seleção brasileira e, consequentemente, o destino de Fernando Diniz.

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