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Marrocos e Croácia têm motivações para jogo de 3º da Copa – 16/12/2022 – Esporte

O confronto pelo terceiro lugar em Copas do Mundo sempre provocou a discussão da sua real necessidade, uma vez que as seleções que o disputam vêm de derrotas nas semifinais e, muitas vezes, os jogadores vão a campo sem o ânimo habitual. Mas o duelo entre Marrocos e Croácia, às 12h (de Brasília) deste sábado (17), no Qatar, deve ser diferente.

As duas nações chegam à partida com motivos de sobra para darem às torcidas um grande espetáculo no estádio Khalifa Internacional, em Doha.

Do lado croata, o grande incentivo é proporcionar ao meia e capitão Luka Modric a oportunidade de encerrar sua última Copa novamente no pódio, após o vice-campeonato no Mundial da Rússia, em 2018.

Aos 37 anos, o craque, eleito melhor jogador do mundo pela Fifa em 2018, ainda não anunciou se vai se aposentar da seleção, mas o seu treinador, Zlatko Dalic, espera convencê-lo a continuar até a Eurocopa de 2024, na Alemanha.

“Espero que ele esteja lá. Eu realmente acho que ele estará presente. Luka vai decidir por si mesmo, dependendo de onde ele estiver no futebol, na seleção. Claro, é uma decisão apenas dele”, disse Dalic, um dia depois da derrota para a Argentina nas semifinais, na quarta-feira (14).

“Será uma pena para todos os torcedores do mundo se Luka disser adeus à seleção. Ele exibiu um futebol tão bom e mostrou que é um profissional de ponta. É difícil para ele. e para mim também, se ele decidir não continuar”, acrescentou.

A vontade demonstrada por Modric ao longo do Mundial também é encarada pelo treinador marroquino, Walid Regragui, como um dos obstáculos para sua equipe ficar em terceiro no Qatar.

“Tiro o chapéu para Modric. O que ele está fazendo aos 37 anos é monumental. Ele foi o vencedor da Bola de Ouro e eu entendo perfeitamente o porquê”, disse o comandante. “Não sei se é o último jogo de Modric, ele é um guerreiro competitivo e vai querer terminar sua Copa do Mundo em grande estilo. Quando ele quer terminar em grande estilo, devemos ser cautelosos”, finalizou.

Já com um resultado histórico, por ser o primeiro país africano e falante de árabe a chegar às semifinais da Copa do Mundo, Marrocos também demonstra muita fome para vencer o último duelo e terminar na terceira colocação.

Regragui afirma que ele e seus jogadores gostariam de disputar o histórico sétimo jogo em Mundiais no domingo, na decisão, mas reconhece que terminar em terceiro também é muito importante para o futebol do país, o que deixaria os fãs orgulhosos.

“O Marrocos disputou seis partidas da Copa do Mundo em 20 anos e agora jogamos seis partidas em um mês, isso não tem preço. É como se tivéssemos jogado duas Copas do Mundo ou até mais, isso é lindo do ponto de vista da experiência”, destacou o treinador.

Tanto Dalic quanto Regragui esperam um confronto acirrado neste sábado. Muito mais do que o da fase de grupos, quando empataram sem gols e, no fim, os dois seguiram às oitavas de final, eliminando a até então favorita Bélgica e o Canadá.

“Será um adversário mais difícil do que na primeira fase. Eles não têm medo de ninguém. Será uma partida difícil. O Marrocos é a grande surpresa desta Copa do Mundo”, disse Dalic.

“Houve muita hesitação para o primeiro jogo… As duas equipes vão querer ganhar (sábado) e vai ser um grande jogo”, concordou o marroquino.

Apesar de estarem disputando a terceira posição na Copa do Qatar, Croácia e Marrocos tiveram desempenhos bem diferentes durante o torneio. Os europeus venceram apenas uma partida no tempo regulamentar, 4 a 1 no Canadá, na fase de grupos. As outras duas foram empates sem gols, com Marrocos e Bélgica.

Nas oitavas de final, novo empate (1 a 1) com o Japão e vitória por 3 a 1 nos pênaltis. Nas quartas, a grande surpresa ao segurar o Brasil no tempo normal, empatar por 1 a 1 na prorrogação e ganhar nas penalidades por 4 a 2. E a derrota por 3 a 0 para a Argentina na semifinal.

Já o rival africano demonstrou mais força no ataque desde o início, quando derrotou Bélgica (2 a 0) e Canadá (2 a 1) e empatou com os croatas. Na sequência, empatou sem gols com a Espanha no tempo normal e venceu na disputa de pênaltis por 3 a 0, eliminando um dos favoritos ao título. Nas quartas, outra vitória importante: 1 a 0 sobre Portugal, de Cristiano Ronaldo. E a derrota por 2 a 0 para a França na semifinal, que o levou ao reencontro com a Croácia.

Em relação aos times, os dois técnicos terão que fazer alterações no grupo que começa jogando. Regragui descartou a presença do capitão Romain Saiss, que tem uma lesão na coxa, situação parecida com a dos zagueiros Nayef Aguerd e Noussair Mazraoui e do atacante Youssef En-Nesyri.

Já Dalic não deve ter um dos seus principais jogadores de meio de campo, Marcelo Brozovic, que teve de deixar o jogo contra a Argentina aos 50 minutos com uma contratura muscular. Se ele não puder mesmo atuar, Lovro Majer deve ser o substituto. Outra ausência deve ser o lateral direito Josip Juranovic, que também sentiu uma lesão muscular e pode dar lugar a Stanisic, que ainda não atuou no Qatar.

Assim, se o jogo será decidido no tempo normal, na prorrogação ou nos pênaltis, só saberemos depois, mas o certo é que o torcedor deve ter bons motivos para ficar ligado no gramado, já que as duas seleções estão prontas para dar espetáculo.

Com agências de notícias

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Marrocos entra com recurso contra arbitragem da semifinal – 15/12/2022 – Esporte

A Federação Marroquina de Futebol disse considerar que sua seleção foi prejudicada na semifinal da Copa do Mundo contra a França, na derrota por 2 a 0, e anunciou nesta quinta-feira (15) que procurou a “autoridade competente” para protestar contra a arbitragem.

“A FRMF enviou um email à autoridade competente no qual dá conta das situações de arbitragem que privaram a seleção marroquina de dois pênaltis indiscutíveis, segundo a opinião de vários especialistas”, informou a federação em um comunicado.

Tal “autoridade competente” não é citada na nota.

Durante a semifinal entre França e Marrocos, o único cartão amarelo da partida foi mostrado para o marroquino Boufal, por um choque com o francês Theo Hernández, punição que a federação considerou severa demais.

Em outro lance, os jogadores marroquinos consideraram que Tchouaméni agarrou En-Nesyry pela cintura dentro da área.

A FRMF afirma ter protestado “fortemente” contra a atuação do árbitro mexicano César Arturo Ramos, e que se surpreendeu porque “o dispositivo de videoarbitragem (VAR) não reagiu a essas situações”.

A federação marroquina diz que “não poupará esforços para defender e preservar os direitos das seleções nacionais, pregando a equidade na arbitragem e denunciando essas decisões arbitrais” da semifinal, acrescenta o texto.

Ramos, de 38 anos, foi árbitro no Mundial de 2018 e apitou três jogos no Qatar, entre eles a vitória de Marrocos sobre a Bélgica por 2 a 0, na fase de grupos.

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‘Estávamos certos da vitória’, lamenta goleiro do Marrocos – 14/12/2022 – Esporte

O goleiro do Marrocos Yassine Bono disse que a semifinal da Copa do Mundo perdida para a França (2 a 0) nesta quarta-feira (14) foi um “jogo difícil” e que seus companheiros “estavam certos da vitória”, mas agora prometem brigar pelo terceiro lugar do torneio contra a Croácia.

“O jogo não foi fácil. Sonhávamos em ir à final e estávamos certos da vitória, mas não funcionou”, lamentou o goleiro do Sevilla. “Os rapazes jogaram uma grande partida, fizeram um esforço enorme e criaram chances”.

“O primeiro gol complicou nosso jogo, mas a seleção mostrou que tem personalidade e criou chances depois de sair atrás”, analisou Bono.

“Depois veio o segundo gol com um pouco de sorte. De qualquer forma, fizemos um grande jogo”, acrescentou.

O goleiro marroquino elogiou também os jogadores que entraram no lugar de seus companheiros lesionados Romain Saiss, que foi substituído no primeiro tempo, e Nayef Aguerd, que chegou a ser anunciado na escalação oficial, mas não entrou em campo.

“Os que entraram, seja Jawad (el Yamiq) ou Achraf (Dari), fizeram uma grande partida e mantiveram o nível. Não notei a ausência de Saiss, nem de Aguerd.”

Apesar de o sonho do título mundial ter chegado ao fim para o Marrocos, Bono considera que sua equipe “mostrou verdadeiramente que é capaz de competir contra as grandes seleções”.

Os Leões do Atlas vão enfrentar a Croácia no próximo sábado (17), às 12h (de Brasília), pelo terceiro lugar do Mundial do Qatar e Bono prometeu lutar pela vitória: “Ainda nos resta um jogo, que precisamos encarar com a mesma seriedade que mostramos nos outros”.

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Operação policial gera confusão antes de França x Marrocos – 14/12/2022 – Esporte

Em uma operação incomum nesta Copa do Mundo, a polícia do Qatar instalou uma série de cordões de isolamento em torno do estádio Al Bayt, em Al Khor, onde França e Marrocos decidem nesta quarta-feira (14) o segundo finalista do torneio, às 16h (de Brasília).

A ação confundiu os torcedores que chegaram à arena e criou tumultos nas imediações do local, principalmente porque as autoridades só deixavam passar quem apresentava ingresso.

A checagem dos bilhetes era feita em três barreiras, sendo uma pessoa por vez, o que criou enormes filas.

A reportagem da Folha estava no local e ouviu quando muitos torcedores começaram a gritar “push, push” (empurra, empurra), em uma tentativa de derrubar o cerco feito pelas autoridades. Não há registro de feridos.

Cerca de meia hora antes de a bola rolar, boa parte das cadeiras do estádio ainda não estavam ocupadas.

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Polícia francesa se prepara para jogo contra Marrocos – 14/12/2022 – Esporte

A polícia da França se preparou para a semifinal da Copa do Mundo contra Marrocos nesta quarta-feira (14), depois de brigas que se seguiram à vitória do Marrocos sobre Portugal nas quartas de final, na semana passada.

Cerca de 10.000 policiais serão mobilizados em todo o país, dos quais 5.000 serão colocados na região de Ile-de-France, perto de Paris, e cerca de 2.200 na capital, o dobro do pessoal de segurança acionado nas partidas anteriores da Copa do Mundo, disse o ministro do Interior, Gerald Darmanin, à TV France 2.

“Nossos amigos marroquinos, assim como os torcedores franceses, são bem-vindos para organizar uma festa, e nosso trabalho não é impedi-los de festejar... Mas isso terá que ser feito sob boas condições de segurança”, disse Darmanin.

Os confrontos eclodiram em Paris em 10 de dezembro, depois que Marrocos derrotou Portugal, e as comemorações da vitória com bandeiras e buzinas logo se transformaram em violência nas ruas, enquanto os manifestantes atacavam as vitrines das lojas, forçando a tropa de choque a usar gás lacrimogêneo.

A França é um ex-governante colonial do Marrocos e tem uma grande diáspora marroquina, concentrada principalmente em torno de Paris e da costa do Mediterrâneo.

Embora não existam números de etnia na França, as estimativas colocam o número de franco-marroquinos e marroquinos vivendo na França em cerca de 1 milhão.

Darmanin disse que a Champs Élysées de Paris —uma avenida de 70 metros de largura que costuma ser o ponto focal para celebrações esportivas espontâneas, bem como manifestações— não será fechada.

Ele disse que pode ser fechada na noite de domingo (18) após a final da Copa do Mundo.

A prefeitura de polícia de Paris disse que as forças de segurança se concentrarão na Champs Élysées para impedir vandalismo e agressão.

Para evitar engarrafamentos no centro da cidade, várias saídas do anel viário da periferia de Paris serão fechadas à noite, e o acesso a algumas estações de metrô será limitado.

Cerca de duas horas antes do início da partida, cerca de 500 postos de controle serão colocados em Paris e outras áreas. Os torcedores serão revistados em busca de fogos de artifício e bombas de fumaça.

Darmanin disse que muito pode depender do clima, já que a França está passando por um período de frio incomum, com temperaturas abaixo de zero e neve esperada em uma grande faixa do norte do país.

“O clima não é muito adequado para reuniões ao ar livre, mas de qualquer forma as pessoas vão querer expressar sua felicidade, o que é legítimo”, disse Darmanin.

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Policiais e torcedores entram em confronto em Paris – 10/12/2022 – Esporte

Policiais e torcedores que comemoravam as vitórias da França e do Marrocos, neste sábado (10), entraram em confronto na avenida Champs-Élysées, em Paris. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo.

Milhares tomaram a via logo após a partida entre os africanos e os portugueses, que terminou com vitória por 1 a 0 do Marrocos. Elas cantavam, agitavam bandeiras e sopravam cornetas, sob a vigilância da polícia.

Após a vitória da França sobre a Inglaterra, por 2 a 1, mais torcedores tomaram a avenida.

Registros da TV Reuters mostram pessoas atacando lojas e em confronto com a polícia. Fogo também foi visto na avenida de Friedland, próxima à Champs-Élysées.

Presente na Copa do Mundo desde a edição de 1934 –quando o Egito perdeu sua única partida, 4 a 2, para a Hungria, na Itália–, a África nunca havia colocado um representante entre os quatro primeiros colocados.

Marrocos avançou às semifinais com apenas um gol sofrido em cinco partidas na Copa, mostrando força para a campanha mais longa de um país de seu continente.

No outro jogo, Oliver Giroud fez o gol da classificação da França sobre a Inglaterra e colocou a atual campeã mundial mais uma vez nas semifinais.

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Marrocos avança na Copa do Mundo com time multiétnico – 07/12/2022 – Esporte

Filho de migrantes marroquinos, Achraf Hakimi, 24, nasceu na zona industrial de Madri, a capital espanhola. Chegou a ser convidado para defender a seleção da Espanha, mas preferiu atuar pelo país de origem de seus pais.

A escolha se mostrou decisiva na Copa do Mundo de 2022. Foi Hakimi o responsável pela eliminação do time chamado de Fúria no Qatar. Com uma cavadinha, converteu a última cobrança de pênalti na disputa das oitavas de final, na terça-feira (6), em Doha, após empate sem gols.

A opção de Hakimi pela formação de Marrocos é simbólica, por ser no sentido inverso da migração feita por seus pais. Na Copa do Mundo, vários jogadores nascidos ou criados na Europa vestem as camisas dos países de onde saíram seus ascendentes.

Por décadas, as equipes europeias se beneficiaram de saltos de qualidade técnica movidos pelos fluxos migratórios que ajudam a formar equipes multiétnicas.

A França é o melhor exemplo disso. Em 1998, conquistou seu primeiro título mundial com uma geração conhecida como “black, blanc, beur” (negra, branca e árabe).

Zinédine Zidane, o maior astro daquele elenco e carrasco do Brasil na decisão, com dois gols na vitória francesa por 3 a 0, tem ascendência argelina.

A fórmula se repetiu em 2018, na Rússia, onde a França conquistou o bi. Dos 23 convocados, 17 tinham ascendência estrangeira, entre eles novamente o principal nome do time, Kylian Mbappé, filho de um camaronês e de uma argelina.

Na busca pelo tri, o elenco também é globalizado. Cinco titulares que atuaram na estreia contra a Austrália, por exemplo, são filhos de migrantes (Mbappé, os zagueiros Upamecano e Konaté, o volante Tchouameni e o ponta Dembélé).

Das 32 seleções que foram ao Qatar disputar o Mundial, somente quatro não contam com atletas naturalizados: Arábia Saudita, Argentina, Brasil e Coreia do Sul.

Portanto, todas as equipes europeias seguem o exemplo francês com ao menos um naturalizado em seu plantel. Entre as oito seleções classificadas para as quartas de final, só duas, a brasileira e a argentina, não tem atletas com essa característica.

Holanda, Croácia, França, Inglaterra, Marrocos e Portugal (este com três nascidos em território brasileiro: Pepe, Matheus Nunes e Otávio) apostam na formação multiétnica.

Levantamento feito por produtores do podcast espanhol Fútbol Infinito apontou que 137 dos 832 convocados para a Copa (16,4%) foram naturalizados. Desta vez, a seleção que mais conta com jogadores naturalizados na Copa é Marrocos.

Metade do time não nasceu no país, 13 dos 26, incluindo Hakimi. Quando decidiu defender o país de origem de seus pais, ele simplesmente justificou sua decisão dizendo que “era o certo a se fazer”. “Eu simplesmente senti que seria melhor jogar por Marrocos. Conversei com meu agente e com a minha família sobre isso. Tenho orgulho de ser marroquino”, afirmou.

Na adolescência, o lateral jogou nas categorias de base do Real Madrid. Em 2016, com 18 anos, estreou pela equipe B dos madridistas. Um ano depois, chegou ao profissional.

Na equipe principal, no entanto, ele não teve muito espaço. Chegou a dar entrevistas dizendo que o clube não lhe dava as mesmas chances que oferecia a outros garotos. Fora da Espanha, passou por Borussia Dortmund e Inter de Milão antes de virar referência no time do Paris Saint-Germain.

Atualmente, ele não é o único que joga em um grande europeu. Assim como Hakimi, o lateral direito Noussair Mazraoui, 25, é nascido na Europa e filho de pais marroquinos. O lateral direito nasceu na Holanda, onde foi revelado pelo Jong Ajax. Atualmente, pertence ao Bayern.

Já o atacante Hakim Ziyech, 29, também nascido na Holanda, jogou no futebol holandês entre 2012 e 2020, quando se transferiu para o Chelsea, seu atual clube.

Referências da equipe, eles são os principais responsáveis por fazer Marrocos igualar as melhores campanhas de seleções africanas em Copas do Mundo, chegando às quartas de final, como fizeram Camarões (1990) e Senegal (2002).

O sonho do trio que simboliza a formação do plantel marroquino é superar agora essa barreira para chegar à semifinal e manter vivo o objetivo do título. Que, certamente, faria felizes torcedores em Marrocos e em diversos outros países.

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Copa tem duelos dos tradicionais e uma zebra perigosa – 07/12/2022 – PVC

Seis dos oito classificados às quartas de final já disputaram a finalíssima da Copa do Mundo pelo menos uma vez. Brasil x Croácia, Argentina x Holanda, França x Inglaterra são os duelos dos tradicionais. Todos tiveram resultados inesperados, como a derrota da seleção brasileira para Camarões e a dos argentinos para a Arábia Saudita.

Portugal nunca chegou à decisão. O Marrocos é a única zebra.

Foi simbólica a vitória nos pênaltis sobre a Espanha, cinco meses após o massacre de Melilla, cidade autônoma espanhola no norte da África. Em 24 de junho, pelo menos 37 migrantes marroquinos foram mortos. O governo de Madri é acusado de financiar tropas de Rabat para dificultar a entrada de africanos na Europa.

Os marroquinos do norte odeiam mais os espanhóis do que os franceses. Nós, jornalistas, adoramos dizer que Copa do Mundo não é pátria de chuteiras. Não é.

Mas, em alguns casos, não cabe subestimar o sentimento de nação. A Croácia é um desses exemplos, porque declarou sua independência depois de longa guerra, apenas 30 anos atrás.

O lugar onde Modric morava na infância foi ocupado por tropas sérvias. Está na sua na memória e em seu coração.

O Marrocos é o quarto representante da África nas quartas de final e o primeiro árabe. Hakimi nasceu em Madri, cresceu nas divisões de base do Real e decidiu não jogar pela Espanha: “Senti que não era meu lugar. A maneira como eu vivia em casa era diferente, com cultura muçulmana”.

No Qatar, o Marrocos representa os árabes. Uma das maiores festas pela classificação contra a Espanha aconteceu em Melilla.

Não parece fácil o duelo Portugal x Marrocos, e o técnico português, Fernando Santos, alertou sobre isso. Há marroquinos em Doha apostando que seu país chegará às semifinais. Portugal é favorito.

Não custa brincar: da última vez que o pessoal do Marrocos resolveu invadir a Península Ibérica, passou por lá mais de 500 anos. Agora, precisam só de cinco dias e, depois, enfrentar a França, a quem eles realmente odeiam.

Se Portugal avançar, chegará à sua terceira semifinal como o único possível finalista inédito. Com Eusébio, em 1966, chegou em terceiro lugar. Com Cristiano Ronaldo, em 2006, em quarto.

O Brasil esteve na decisão sete vezes, a Argentina em cinco, França e Holanda em três, Inglaterra e Croácia em uma.

Dos oito candidatos restantes, só Argentina, Brasil e Inglaterra tiveram mais posse de bola em todas as partidas. Nesta Copa, isso parece ser, ao mesmo tempo, demonstração de força e risco de cair numa arapuca. Se você quer seu time no ataque, impositivo, ele precisa empurrar o adversário para trás —e isso se faz com seus jogadores na parte da frente do campo. Mas, aqui em Doha, só 37% das partidas são vencidas por quem controla o adversário trocando passes. A Espanha foi quem mais fez isso. Está fora.

Chutar a gol dá mais certo. Contando os empates, 44% das vezes quem ganha é quem finaliza mais. Dos classificados, o Brasil é o melhor nesse quesito. A Alemanha era a primeira colocada nesse critério e também está eliminada.

Nesta Copa, não dá para provar nenhuma teoria com base nas histórias e nas estatísticas. Nem a tese de que seria a Copa das zebras sobreviveu.

A não ser que o Marrocos resolva invadir a Península Ibérica, como os mouros fizeram em 711 d.C.


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Suíça usa ‘lei do ex’ para derrotar Camarões

Ao completar cruzamento para o gol aos 4 minutos do segundo, Breel Embolo não comemorou. Os jogadores do banco suíço explodiram com o lance que dava vantagem à equipe na estreia na Copa do Mundo. Os companheiros correram para abraçá-lo. Mas o artilheiro de 25 anos permaneceu imóvel.

Foi o lance que definiu a vitória da Suíça por 1 a 0 sobre Camarões nesta quinta-feira (25), no estádio Al Janoub, em Al Wakrah. Era a estreia das duas seleções no Qatar.

Principal nome do futebol suíço, Embolo nasceu em Yaoundé, capital camaronesa.

Depois da separação dos seus pais, ele se mudou com a mãe para a França quando tinha cinco anos. Foi morar na Suíça no ano seguinte e recebeu a cidadania do país em 2014.

A Suíça costuma levar seleções multiculturais para a Copa do Mundo. Isso pode causar polêmica. O atacante Xherdan Shaqiri é de Kosovo, mesma ascendência do meia Granit Xhaka, que também tem sangue albanês. A dupla causou confusão em 2018 ao comemorar gol contra a Sérvia. Os dois fizeram gesto que lembrava uma águia de duas cabeças, símbolo que está na bandeira da Albânia.

Kosovo declarou independência da Sérvia em 2008 e a disputa ainda inflama tensões na região. Acabaram multados pela Fifa.

Suíça e Sérvia estão no Grupo G do Mundial deste ano e voltam a se enfrentar na última rodada, no próximo dia 2.

Suíços costumam formar uma seleção pouco usual no torneio. Em 2018 pararam o Brasil no empate em 1 a 1 (e as seleções medem forças na segunda-feira, 28) e passou com moral para as oitavas de final. Foram eliminados por uma Suécia que parecia longe do seu melhor futebol. Em 2006, caíram de novo nas oitavas sem sofrer nenhum gol durante toda a Copa do Mundo.

Nos Estados Unidos, em 1994, fizeram 4 a 1 na Romênia, que seria sensação do torneio, mas não viram a cor da bola contra a Espanha, de novo nas oitavas de final.

Camarões teve um desempenho em campo melhor do que se poderia esperar. Era a seleção africana mais desacreditada. Pressionou a Suíça em diferentes momentos da partida e teve chances para marcar. Trata-se da seleção que se classificou de maneira inesperada ao fazer gol contra a Argélia, fora de casa, no último lance da prorrogação nas eliminatórias do continente.

A Suíça tem a mesma base que eliminou a campeã mundial França, nas oitavas de final da Eurocopa do ano passado.

O gol de Embolo foi o um dos raros momentos em que o Al Janoub foi barulhento no início da tarde desta quinta-feira (no horário do Qatar, a partida começou às 13h). Com capacidade para 40 mil pessoas, o estádio tinha vários locais com cadeiras vazias e parecia ter recebido apenas metade da sua ocupação. Apesar disso, o público divulgado foi quase total: 39 mil pessoas.

Havia pouco clima de Mundial. Apenas dois setores, um ocupado por camaroneses e outro por suíços, tentaram animar o público na primeira arena finalizada para receber o evento. Construção que causou controvérsia também, por um motivo inusitado.

Desenhado pela arquiteta iraquiana Zara Hadid, a inspiração para o formato do teto foi de um veleiro típico da região. Mas, quando começaram comparações nas redes sociais com a genitália feminina, houve constrangimento nas autoridades qatarianas.

Se a Suíça tem como próximo adversário o Brasil, Camarões precisará obter um bom resultado diante da Sérvia, também na próxima segunda-feira, para continuar com chances de classificação.

Nos minutos finais os africanos não conseguiram sequer empurrar a seleção ao empate. Apenas quando foram anunciados os seis minutos de acréscimo, os suíços começaram a cantar. Durou 30 segundos.

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Croácia e Marrocos empatam em jogo morno da Copa do Mundo

Croácia e Marrocos empataram em 0x0 pelo primeiro jogo do grupo F da Copa do Mundo de 2022, no Estádio Al Bayt, em Al Khor, no Qatar.

O jogo começou amarrado e continuou assim até o apito final: os times fizeram uma partida sem brilho em sua estreia na Copa.

A atual vice-campeã parou na forte defesa marroquina, que rebateu os 18 cruzamentos croatas e tentou encontrar um chance no erro do adversário.

Mas o time africano não ficou totalmente recuado, até tentava sair para marcar em linha mais alta, procurando um passe errado dos adversários para o veloz Boufal aproveitar em contra-ataque, ou mesmo arriscava armar algo através do meia Ziyech.

Quando a bola estava em seus pés, no entanto, os marroquinos pareciam não saber bem o que fazer. Não que os croatas estivessem em dia inspirado: o meio de campo composto por Modrić, Brozović e Kovacić trocou passes inofensivos durante a maior parte do jogo.

A equipe europeia foi paciente e conseguiu construir a grande chance do jogo no final do primeiro tempo: após cruzamento de Sosa, a bola caiu nos pés de Vlasić, que deu só um toque, já na pequena área. O goleiro Bounou fez grande defesa, que manteve o placar zerado.

O segundo tempo seguiu na mesma toada. Marrocos encontrou uma chance após bola rebatida na zaga croata, mas sem ângulo, o que facilitou a defesa de Livaković . O compilado de melhores momentos parou aos 64 minutos de jogo, numa cobrança venenosa de Hakimi, promissor lateral do PSG.

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