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Brasil x Argentina: o jogo que não veremos – 10/12/2022 – Tayguara Ribeiro

Desde que o sorteio dos grupos e chaves da Copa do Mundo do Qatar de 2022 foi realizado, uma eventual semifinal entre Brasil e Argentina foi o prognóstico mais constante entre analistas e torcedores e nos bolões. Talvez um misto de favoritismo das duas seleções e da expectativa para que o jogo ocorresse.

Juntas, as duas seleções têm sete títulos mundiais. Delas surgiram Pelé e Maradona e tantos outros grandes craques. Nos atuais elencos, Messi e Neymar. Dois países de muita tradição e paixão pelo futebol.

A semifinal seria épica. Por tudo que representam para o futebol mundial, mas também pela sonhada final que teima em não acontecer. Uma decisão de Copa desejada por muitos, eu entre estes tantos.

Mas o chaveamento do torneio de 2022 deixou bastante improvável que as seleções brasileira e argentina se encontrassem na última partida da competição. Por isso, a semifinal era cantada com antecedência.

Os dois times já se enfrentaram em Copas, mas não em uma partida com este peso. No primeiro duelo, em 1974, Brasil venceu por 2 a 1. No torneio de 1978, Brasil e Argentina ficaram no 0 a 0. Em 1982, o Brasil derrotou os argentinos por 3 a 1. No último encontro, a Argentina eliminou o Brasil do Mundial de 1990, nas oitavas.

No Qatar, seria uma semifinal de Copa. Depois de longos anos sem título as duas potências do futebol ficariam frente a frente, neste ano. Quem passasse estaria na grande final. Mas não veremos este jogo. Pelo caminho a Croácia. E um gol de contra-ataque.

Faltavam nem quatro minutos para o fim do segundo tempo da prorrogação. O Brasil estava na frente. “Vai subir para quê?”, é possível entender Neymar questionando após o gol dos croatas.

A eliminação nos pênaltis que chegou para o Brasil, quase chegou para os argentinos, que também tomaram o empate no finzinho do jogo. Mas o time de Messi passou. Cumpriu sua parte para a aguardada semifinal.

Esta é a segunda vez que o Brasil descumpre o “trato” de disputar uma decisão contra a seleção argentina, em Copas recentes. No Mundial de 2014, realizado por aqui, o chaveamento permitia que as duas seleções se encontrassem em uma final.

Na decisão, nossos vizinhos estavam lá, aguardando. O Brasil, no caminho, encontrou com a Alemanha… Bem, não precisamos lembrar do que ocorreu.

Depois de um pesadelo como a eliminação brasileira é natural a busca por culpados ou, ao menos, tentar entender o que aconteceu, já que o país era tido como um dos favoritos.

E, sobre isso, muito ainda vai ser dito nos próximos meses. Um dos pontos, certamente, é que faltavam só quatro minutos. Quatro minutos. “Vai subir para quê?”

Pós fato consumado, cabe olhar o que resta. E não vejo terra arrasada.

Diferentemente de outras eliminações, estamos diante de uma geração em começo de ciclo, e não no final. Paquetá, Vinicius Júnior, Anthony, Rodrigo e Raphinha são ainda novos. Existe uma geração mais jovem e bastante promissora. Alguns de 16, 17 anos. Jovens demais para 2022, mas em boa idade em 2026.

Não sabemos como estarão na próxima Copa. Nem os que disputaram o torneio do Qatar e nem as promessas que ainda precisam se concretizar. Mas, eliminado, só resta ao Brasil imaginar cenários com esses jogadores e se preparar para a próxima Copa.

E, quem sabe, nos EUA, no México e no Canadá a seleção consiga realizar o tão sonhado jogo contra a Argentina.


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Amor pela seleção brasileira embala Richarlison na Copa – 08/12/2022 – Esporte

Richarlison, 25, tem várias tatuagens pelo corpo. Uma das que mais gosta é de um coração com a bandeira do Brasil, desenhada em seu peito. Simboliza o orgulho que ele tem por defender seu país.

Ele também não é do tipo que esconde suas emoções. Pelo contrário. Fica com os olhos marejados, por exemplo, durante a execução do hino nacional brasileiro antes de cada jogo na Copa do Mundo.

Ele é um dos destaques do time que enfrentará a Croácia nesta sexta-feira (9), às 12h (de Brasília), no estádio Cidade da Educação. Trata-se da realização de um sonho para o jogador. O duelo é válido pelas quartas de final.

Quem convive com Richarlison conta que ele passou dia e noite se tratando de uma lesão para voltar a tempo de disputar o Mundial em alto nível. Com três gols, ele é o artilheiro da equipe na competição.

“Graças a Deus, foi uma lesão leve e ele tinha tanta vontade de participar dessa Copa que ele se recuperou muito rápido”, diz o pai dele, Antônio Marcos de Andrade, 46.

A seleção tem um peso muito grande na vida de Richarlison, assim como o próprio futebol. Com a bola nos pés, ele realiza o sonho que também era de seu pai. “Não deu certo para mim, mas deu certo para o meu filho”, orgulha-se Antônio, que tentou ser jogador.

Para Antônio, a imagem do filho emocionado na hora do hino é um retrato fiel do que ele é no dia a dia e de como ele leva a vida. E revela, ainda, a capacidade de concentração que o atleta tem, pois seu semblante muda em instantes, quando a partida está para começar.

“Ele é um cara de grupo, que conquista as pessoas com esse jeito alegre e humildade. Desde a base, ele sempre foi assim, se destacava por essa determinação, essa raça que ele tem”, afirma o pai dele.

Foi assim que ele conquistou não só a confiança de Tite, como também a admiração dos torcedores do Tottenham, clube que ele defende na Inglaterra.

Lá, ele viveu um dos momentos mais emocionantes de sua vida antes da Copa. Em setembro, o atacante estreou na Champions League e marcou dois gols na vitória sobre o Olympique, por 2 a 0.

Além da grande atuação, viralizou nas redes sociais um momento após a partida, quando ele foi até uma das arquibancadas e abraçou o pai.

“Essa oportunidade de encontrar ele no estádio foi mais um sonho realizado dele. Foi muito importante estarmos presentes. Estávamos sempre presentes, mas a distância, no pensamento, no coração. E naquele dia eu estava lá na Inglaterra junto com ele”, lembra Antônio.

Os dois choraram juntos. “A gente se emocionou porque é um sonho que ele realizou. Uma estreia, com dois gols, foi muito gratificante. Só tenho que agradecer a Deus pelas bênçãos na vida do meu filho”, acrescenta.

O próprio jogador diz que a fama “não mudou nada” para ele em relação a sua vida pessoal, pois se mantém preso à frase que, embora seja um clichê, também um mantra importante para ele: “sempre mantenho os pés no chão”.

Em campo, porém, ele “descumpriu” essa promessa. Mas foi por um bom motivo. Na estreia do Brasil na Copa, contra a Sérvia, ele marcou de voleio o segundo gol da vitória por 2 a 0 –ele também havia aberto o placar.

Foi quando caiu de vez nas graças da torcida, que agora espera mais uma grande atuação dele diante da Croácia, em busca da vaga na semifinal.

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Se futebol fosse música: ouça os gols do Brasil na Copa – 08/12/2022 – Esporte

Se futebol pode ser arte, pode também ser música?

A Folha transformou os lances que deram origem aos gols do Brasil na Copa do Mundo em tons musicais. Cada tipo de toque na bola recebeu um som correspondente.

Na animação, é possível acompanhar todos os lances dos três minutos anteriores aos sete gols que a seleção brasileira fez até o momento na competição. Confira o resultado abaixo

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‘Não senti nada no tornozelo’, diz Neymar após o jogo

Neymar foi eleito o melhor jogador na goleada por 4 a 1 sobre a Coreia do Sul, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Após o jogo, o camisa 10 disse que não sentiu qualquer incômodo durante o jogo –ele havia ficado duas partidas fora com uma lesão no tornozelo direito.

“Não senti nada no tornozelo, graças a Deus”, disse. Neymar afirmou que gostou da sua atuação, mas que espera mais. “Acho que não posso ficar satisfeito pelo jogo de hoje, e [preciso] seguir crescendo. O destaque de hoje foi o nosso elenco, o time completo, não só um jogador.”

O camisa 10 celebrou ter podido voltar a jogar. “O que a gente queria era jogar bem, e a gente fez isso. E a torcida está de parabéns.”

O atacante treinou com a seleção pela primeira vez após a lesão neste domingo (4), após ficar de fora de dois jogos da fase de grupos.

O treino correr bem era a condição imposta por Tite para que o atacante entrasse na partida com a Coreia. O camisa 10 sofreu uma lesão ligamentar no tornozelo direito na estreia contra a Sérvia.

Além dele, quem também voltou para o campo nesta segunda foi o lateral direito Danilo.

Segue vetado o lateral esquerdo Alex Sandro. O atleta teve um problema muscular na perna esquerda durante o confronto com os suíços e ainda não se recuperou.

Foram cinco lesionados somente na fase de grupos. Os que estão definitivamente fora do Mundial são o atacante Gabriel de Jesus e o lateral direito Alex Telles.

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Copa: Richarlison faz golaço e Brasil estreia com vitória

Quando a bola subiu ao ar aos 28 do segundo tempo, Richarlison já sabia o que fazer e começou a ajeitar o corpo. Décimos de segundo mais tarde, ele protagonizaria o mais belo gol já marcado pela seleção brasileira em uma estreia de Copa do Mundo.

O atacante acertou um voleio 11 minutos depois de ter aberto o placar em lance de oportunismo, ao aproveitar rebote na área. Por causa dele, o Brasil derrotou a Sérvia por 2 a 0 nesta quinta-feira (24), no estádio de Lusail, no Qatar.

A partir do momento em que o camisa 9 colocou o Brasil na frente no placar, uma partida complicada se transformou em um massacre. Serviu para contrariar o histórico recente.

A última vez que a seleção havia tido um primeiro jogo sossegado no torneio foi em 1994. O placar de 2 a 0 sobre a Rússia não mostrou o domínio absoluto que o time de Carlos Alberto Parreira teve naquela partida. Depois disso, sofreu contra a Escócia (2 a 1 em 1998), Turquia (2 a 1 com o pênalti inexistente em 2002), Croácia (1 a 0 em 2006), Coreia do Norte (2 a 1 em 2010), Croácia (3 a 1 em 2014 com pênalti que não houve) e Suíça (empate em 1 a 1 em 2018).

A vitória em Lusail evitou que o Brasil igualasse o recorde negativo de 1978, quando chegou a duas estreias consecutivas de Mundial sem vencer.

A seleção sul-americana criou todas as poucas jogadas de perigo no primeiro tempo. Mas foram tão escassas e nenhuma clara. A torcida verde e amarela, que começou empolgada, murchou a partir dos 30 minutos. Apesar das tentativas de atuar em velocidade pelas pontas, com Vinicius Junior e Raphinha, foi com passes rasteiros de Thiago Silva e Casemiro, pelo meio do sistema de marcação sérvio, que a equipe de Tite conseguiu entrar na área.

A dificuldade de criar aconteceu apesar de o treinador ter feito uma opção mais ofensiva. Lucas Paquetá foi o escolhido para o meio-campo em vez de Fred. O volante do Manchester United também sabe sair para o jogo e chegar ao ataque, mas o jogador do Newcastle (ambos da Inglaterra) tem mais características de ataque.

O plano dos europeus era conseguir, de alguma forma, fazer a bola chegar a Tadic, o meia mais habilidoso. Sua função seria fazer o cruzamento par Mitrovic, forte no jogo aéreo. Isso não aconteceu nenhuma vez na partida.

A Sérvia se defendeu com tamanha sofreguidão que seu treinador Dragan Stojkovic vibrou com punhos cerrados quando seus jogadores conseguiram atrapalhar a saída de bola brasileira.

A ironia é que o irascível Stojkovic, quando jogador, tenha sido um armador clássico, cerebral, um dos maiores nomes da antiga Iugoslávia.

As dúvidas que o Brasil mostrou no primeiro tempo desapareceram após o intervalo. A pressão imposta aos sérvios esbarrava ora no goleiro Vanja Milinkovic-Savic, ora na trave, como aconteceu em chute de Alex Sandro.

Apesar do domínio, havia tensão no ar. Raphinha não se encontrou em campo e acabou substituído. Neymar teve partida inconstante e saiu machucado de campo. No banco, cobriu o rosto com a camisa enquanto recebia tratamento no tornozelo direito.

Richarlison chegou a preocupar a comissão técnica ao sofrer lesão em partida do Tottenham no mês passado. Ele disse nunca ter tido preocupações de que não iria para a Copa. Quando Neymar foi questionado pela postagem de uma foto em que usava shorts da seleção com seis estrelas, foi o camisa 9 quem saiu em sua defesa. Era uma referência a um possível hexa no Qatar.

Por causa de Richarlison a partida se tornou tão fácil que a partir dos 10 minutos finais o estádio começou a esvaziar. Ninguém via como possível uma reação da Sérvia. A estreia brasileira com vitória era um fato consumado.

Nem o artilheiro estava mais em campo, substituído por Gabriel Jesus.

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