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Gols de fora da área são exceção na Copa do Qatar – 15/12/2022 – Esporte

Os gols marcados de fora da grande área se tornaram mais raros na Copa do Mundo de 2022, no Qatar.

Nas 62 partidas disputadas até as semifinais, apenas 12 finalizações da intermediária terminaram no fundo das redes, incluindo duas em cobranças de faltas.

Esse número representa 7,4% dos 163 tentos anotados até o momento. É o menor percentual registrado pelo menos desde a edição de 1966, a primeira com dados catalogados pela empresa especializada em estatísticas esportivas Opta.

Em comparação, houve 23 gols de longa distância até esta mesma fase no Mundial anterior: o equivalente a 14,3% do total de 161, ou quase o dobro em relação a este ano.

Isso não quer dizer que a pontaria dos jogadores tenha piorado. Na verdade, eles estão apostando menos nesse tipo de chute.

Em vez de arriscar uma batida com grandes chances de ser bloqueada ou sair pela linha de fundo, os atletas têm preferido rodar a bola de uma ponta a outra ou reiniciar a jogada desde o campo de defesa, até encontrar melhores condições para o arremate.

O aproveitamento das finalizações melhorou entre as duas últimas Copas. Os chutes diminuíram, enquanto os gols aumentaram.

Quando consideradas apenas as jogadas com bola rolando –sem contar pênaltis e cobranças de falta–, o total de finalizações caiu 9% (de 1.463 para 1.336), e o de gols cresceu 19% (de 122 para 145).

A maior diferença está justamente nos chutes de fora da área. As tentativas de longa distância diminuíram 22% entre os dois Mundiais (de 593 para 465).

Já o número de finalizações de dentro da área se manteve estável (870 e 871, respectivamente), com maior concentração nas zonas mais próximas à meta neste ano.

Uma possível explicação para esse fenômeno é o aprimoramento das análises estatísticas como parte do trabalho das comissões técnicas.

Popularizado pelos jogos eletrônicos e sites de apostas esportivas, um dos indicadores mais observados atualmente é o xG, uma abreviação para o termo em inglês “expected goals” (gols esperados).

Basicamente, trata-se da probabilidade de uma finalização terminar nas redes, a depender do lugar do campo e em que condições ela ocorre.

Os cálculos são feitos a partir de bases de dados com milhares de finalizações registradas em partidas anteriores e seus desfechos conhecidos.

Dessa forma, uma equipe pode se preparar para explorar pontos fracos dos adversários e construir jogadas que possam ser finalizadas em zonas com um xG mais elevado, aumentando assim as chances de se atingir a meta.

Argentina e França chegam à final do próximo domingo (18) cada uma com um gol de fora da área nesta edição.

Lionel Messi marcou para a equipe sul-americana na vitória por 2 a 0 sobre o México, ainda na primeira fase. E Tchouaméni, no triunfo dos europeus por 2 a 1 sobre a Inglaterra, nas quartas de final.

Na decisão de 2018, os franceses contaram com dois gols de fora da área para vencer a Croácia por 4 a 2 e conquistar o título. Pogba e Mbappé foram os autores.

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Copa do Mundo 2022: 3 curiosidades sobre a seleção do Marrocos, a grande revelação do Mundial – 11/12/2022 – Esporte

O Marrocos se tornou a grande revelação da Copa do Mundo do Catar.

A seleção marroquina se tornou a primeira seleção africana e árabe a chegar à semifinal de uma Copa do Mundo neste sábado (10), ao vencer Portugal por 1 a 0, após já ter vencido a Espanha.

Mas antes do início do Mundial, os “Leões do Atlas”, como a seleção marroquina é conhecida, não estava entre as favoritas.

Vale lembrar que, antes mesmo das vitórias surpreendentes sobre Espanha e Portugal, o Marrocos já havia se classificado como líder do Grupo F, à frente da Croácia (vice-campeã mundial), Bélgica (número 2 do ranking da Fifa) e Canadá (líder das eliminatórias da Copa do Mundo da Concacaf).

Confira três curiosidades sobre a seleção marroquina.

1. Primeiro país africano e árabe em uma semifinal

Embora o futebol gere grandes paixões em cerca de 20 países do Oriente Médio e da África, apenas três seleções africanas chegaram às quartas de final de uma Copa do Mundo, mas nenhuma conseguiu ir além dessa fase.

Até agora.

Com a vitória sobre Portugal de Cristiano Ronaldo por um gol com um salto impressionante de Youssef En-Nesyri, os marroquinos garantiram seu lugar entre as quatro melhores seleções do mundo.

As únicas seleções fora da Europa e da América do Sul a chegar às semifinais da Copa do Mundo foram os Estados Unidos, em 1930, e a Coreia do Sul, em 2002.

O nível dos marroquinos na Copa do Mundo do Catar tem sido notável: começaram com um empate (0-0) frente à Croácia, venceram a Bélgica por 2-0 e conquistaram outra vitória sobre o Canadá por 2-1 na fase de grupos.

Nas oitavas de final, empataram em 0 a 0 com a Espanha no tempo normal e venceram por 3 a 0 na disputa de pênaltis.

E frente a Portugal conseguiram desarmar a estratégia ofensiva do adversário e venceram com um gol de Youssef En-Nesyri.

2. A maioria dos jogadores nasceu fora do Marrocos

A migração de marroquinos, principalmente para países europeus, se reflete em sua seleção.

Da equipe de 26 jogadores, 14 nasceram fora do solo marroquino: Bounou, El Kajoui, Hakimi, Mazraoul, Saiss, Amrabat, Ziyech, Zorouy, Chair, Aboukhlal, Amallah, Boufai, El Khannous e Chedira.

Quatro deles nasceram na Holanda, quatro na Bélgica, dois na França, dois na Espanha, um na Itália e um no Canadá.

O autor do gol que levou o jogo contra a Espanha para os pênaltis, Achraf Hakimi, por exemplo, nasceu em Madrid e podia até ter jogado pela La Roja.

“Até tentei com a seleção espanhola, mas vi que não era o meu lugar, não me sentia em casa. Não era por nada em particular, mas pelo que sentia, porque não era o que tinha absorvido e vivido em casa, que é cultura árabe, sendo marroquino. Queria estar na seleção marroquina”, disse ele ao jornal esportivo espanhol Marca antes da Copa do Mundo.

O zagueiro de 24 anos ingressou nas categorias de base do Real Madrid, clube com o qual estreou na primeira divisão em 2017, ano em que conquistou a Supercopa da Espanha.

3. Sofreu apenas um gol em toda a Copa do Mundo

Outro fato a destacar sobre o time revelação é que ele sofreu apenas um gol até o momento no torneio.

Até este sábado, o Marrocos é a equipe com menos golos sofridos neste Mundial. A Croácia segue em segundo lugar, com dois gols sofridos apenas.

E isso se deve em grande parte ao goleiro marroquino Yassine Bounou.

“Bono”, como é conhecido, nasceu no Canadá, mas seu time atual é o Sevilla da Liga Espanhola.

Apesar de ter sofrido apenas um gol em toda a Copa do Mundo, Bounou também foi peça-chave na partida contra a Espanha, defendendo dois pênaltis naquela vitória marcante.

Este texto foi originalmente publicado aqui.

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Copa do Mundo 2022: Quem é Yassine Bounou, o goleiro nascido no Canadá e com sotaque argentino que virou estrela do Marrocos – 11/12/2022 – Esporte

O Marrocos conquistou o que muitos consideravam impossível na Copa do Mundo do Catar.

Ao derrotar Portugal neste sábado (10) por 1 a 0, tornou-se a primeira seleção árabe e africana a avançar para uma semifinal.

São oito jogos sem perder e também sete sem sofrer gols.

Tamanho feito deve-se, em parte, ao goleiro Yassine Bouno, mais conhecido como Bono.

“Estamos aqui para mudar a mentalidade e acabar com a inferioridade”, afirmou Bono, de 31 anos. “O Marrocos está disposto a enfrentar qualquer um no mundo, além das semifinais e qualquer outra coisa.”

Bono tem chamado a atenção nesta Copa do Mundo por feitos como os que demonstrou na partida contra a Espanha, quando defendeu dois pênaltis e não permitiu que a La Roja fizesse um gol em 130 minutos.

Aquele jogo, que mandou a seleção espanhola de volta para casa, se tornou um marco histórico para o futebol marroquino.

“Mudamos esta mentalidade e a geração que vem depois de nós saberá que os jogadores marroquinos podem fazer milagres”, declarou Bono.

O goleiro, que curiosamente fez boa parte da sua carreira na Espanha, tem papel de destaque no Sevilla, time que defende.

Seu desempenho levou-o a ser considerado o nono melhor goleiro do mundo na premiação Bola de Ouro ao receber o Troféu Yashin 2022 e conquistar seu primeiro Troféu Zamora como o goleiro com menos gols marcados na temporada 21-22.

Bono se tornou o herói de sua equipe em março de 2021 contra o Valladolid, marcando um gol aos 93 minutos e empatando a partida. Esse feito por parte de um goleiro não era alcançado há uma década no Campeonato Espanhol.

O desempenho de Bono nas semifinais de agosto de 2020 também permitiu ao Sevilla eliminar o Manchester United por 2 a 1 e conquistar seu sexto título da Liga Europa da UEFA.

Argentino ‘de coração

Yassine Bouno nasceu longe do Marrocos: em Montreal (Canadá). Ele voltou para a terra de seus pais quando tinha sete anos.

Desde pequeno, demonstrou interesse pelo futebol e fez parte do clube Wydad Casablanca, mas seu pai se opôs a que ele se dedicasse ao esporte. No entanto, Bono insistiu em se tornar um jogador profissional.

Ele deixou o Marrocos quando foi contratado pelo Atlético de Madrid. A experiência não foi a que ele esperava e ele desistiu. Passou duas temporadas com Zamora (2014-2016) e depois com Girona (2016-2019). Até que acabou no Sevilla.

Sua vida está ligada à Espanha. No entanto, sabe-se que é um grande torcedor do futebol argentino e torcedor do River Plate. “A primeira camisa que meu pai me deu foi da Argentina”, disse o goleiro há algum tempo.

Uma relação próxima à qual se atribui seu peculiar sotaque argentino. “Sou mais marroquino do que qualquer outra coisa. O que acontece é que quando cheguei na Espanha aprendi espanhol com os argentinos e acabei ficando com o sotaque”, explicou uma vez.

Seu grande ídolo é Ariel Ortega, ex-jogador de futebol argentino mais conhecido como “El Burrito Ortega”. Bono chegou a admitir em entrevista que seu cachorro se chama Ariel, em homenagem ao jogador do River.

Agora os olhos do mundo estão voltados para o Marrocos. As luvas do craque do goleiro ajudaram a seleção africana a alcançar seu melhor desempenho em uma Copa do Mundo, desde a Copa do Mundo no México, em 1986.

Será a vez de Bono enfrentar a seleção argentina?

Este texto foi originalmente publicado aqui.

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Copa: Protestos no Qatar marcam a era do atleta empoderado – 10/12/2022 – Esporte

O acúmulo de controvérsias fora de campo na Copa de 2022 gerou um efeito inédito registrado nos gramados do Qatar. Como nunca em um Mundial, jogadores se posicionaram, protestaram e foram questionados sobre temas que extrapolam o esporte.

“Vivemos a era do atleta empoderado”, analisa Jules Boykoff, 52, cientista político estudioso do impacto das Copas e das Olimpíadas nos países-sede.

Ex-jogador de futebol, ele era um aspirante em 1990, quando estreou com a seleção dos EUA contra o Brasil, no Torneio de Toulon, na França. A equipe brasileira, que tinha Cafu, venceu por 2 a 0.

Boykoff guarda com orgulho o confronto com o capitão do penta numa das competições mais relevantes de categoria de base do futebol. A lembrança o faz refletir sobre como o futebol e seus atletas mudaram, segundo ele.

“Eu era muito ingênuo para me posicionar politicamente. Tenho até medo de pensar o que eu poderia ter dito se algum jornalista viesse me perguntar sobre questões políticas”, afirma.

Questionamentos como os que o capitão da seleção americana, Tyler Adams, ouviu de um jornalista do Irã, sobre discriminação racial nos EUA, ou os que muitos atletas tiveram que responder em relação à morte de operários migrantes no Qatar e à perseguição aos gays no país da Copa.

Boykoff vê como uma evolução o protesto organizado por jogadores da Alemanha, que taparam a boca após serem impedidos de usar braçadeira de capitão com as cores do arco-íris. Para ele, a independência financeira de atletas consagrados deu a eles liberdade para se posicionarem.

“Felizmente, eles não dependem tanto de dirigentes”, diz. “Ótimo, mas isso não pode ser uma obrigação. Eles precisam ter a liberdade de escolher. Se querem falar, vamos ouvi-los”, completa.

O sr. cita em artigos e entrevistas o termo “sportswashing“. O que precisamente quer dizer com isso? Sportswashing acontece quando um líder político usa o esporte e eventos como Copa e Olimpíadas para tentar se mostrar legítimo, ganhar importância geopolítica e melhorar sua reputação. O que ele quer é desviar a atenção de problemas reais crônicos, como violação de direitos humanos.

Com o esporte, é possível cria espaço para avanços geopolíticos e econômicos. Não necessariamente isso se materializa, mas pode acontecer. Você viu, por exemplo, que o Qatar acabou de assinar com os EUA um novo acordo militar durante Copa do Mundo.

Mas isso é um jogo arriscado também? Os países acabam sob holofote… Sim, o Qatar mostra que apostar no sportswashing pode ser um jogo arriscado. Quem sedia um grande evento, ao mesmo tempo em que deseja que não se fale de alguns assuntos, atrai atenção para eles. Vimos isso com relação às leis anti-LGBTQIA+ e às condições de trabalho no Qatar, que ganharam grande atenção da mídia internacional. Não há garantia de que o líder político terá o que quer.

Mas isso é quando falamos de resultados na imagem externa. Temos que lembrar que muitas vezes o objetivo maior está relacionado ao público interno.

Por quê? Vou dar um exemplo, os Jogos Olímpicos de 2014, em Sochi. Vladimir Putin conseguiu, um ano antes do evento, aprovar uma lei de propaganda anti-gay. Isso teve uma repercussão internacional péssima, principalmente nos EUA. Sim, mas na Rússia ele usou isso, com outras medidas, é verdade, para aumentar a sua popularidade.

Ele criou, segundo os pesquisadores locais, um novo senso de nacionalidade russa. Os Jogos Olímpicos de Inverno contribuíram para isso. Após o evento, Putin tinha aprovação de 86%, indicaram pesquisas. Popular, ele anexou a Crimeia.

Temos exemplos do uso de eventos como um trampolim para a popularidade de líderes tiranos que implementam ações como o início de uma guerra.

Ao mesmo tempo, temos que lembrar que sportswashing não é observado apenas em países autoritários. Ele acontece em nações democráticas como Brasil e EUA. Em Los Angeles, o prefeito diz que os Jogos de 2028 vão acabar com o problema dos sem-teto na cidade, o que não parece factível. No Rio, prometeram a despoluição da baía da Guanabara. Essa crítica do uso político dos eventos precisa ser ampliada aos países democráticos também.

Normalmente quando o evento começa, o assunto principal acaba sendo o destaque esportivo, o que ajuda a esconder os problemas dos países. É difícil competir com Messi fazendo gols, com a histórias que o futebol proporciona… Sim, eu sou um apaixonado pelo esporte e sei disso. Mas se você comparar com o passado, acredito que há uma evolução. Antigamente, essa tendência de foco total no jogo se confirmava 100%. A Copa do Qatar rompeu com isso de alguma maneira. Há uma cobertura crítica em relação ao país.

Acredito que estamos vendo algo diferente. Primeiro, porque há muitos problemas no Qatar. Existem repórteres lá e eles estão vendo e relatando isso para uma audiência global. A segunda razão é que tivemos jogadores de diferentes países falando sobre questões sensíveis do país.

Quando a Dinamarca anunciou que iria vestir uma camisa com uma mensagem de defesa dos direitos humanos isso captou atenção. Quando os alemães foram impedidos de usar a braçadeira com o arco-íris e taparam a boca em protesto, isso propagou algo que não era comum.

O que explica esse engajamento maior de alguns atletas em causas que extrapolam o futebol? Tem um fator que é a independência financeira que jogadores mais consagrados conquistaram. Felizmente, eles não dependem tanto de dirigentes.

Pego o exemplo do Messi, que é um atleta que não se posiciona e é direito dele ser assim, não há crítica nisso que vou falar. Ele ganha US$ 40 milhões (R$ 212 milhões) por ano de salário. Isso sem contar patrocínios e outras receitas. A equipe campeã da Copa vai receber US$ 42 milhões (R$ 222 milhões) no total, para dividir com todos do time, comissão técnica e funcionários. A gestão do prêmio é da federação do país.



A Copa no Qatar quebrou o padrão de alienação em relação às mazelas do país que sedia os grandes eventos esportivos

Então, esses atletas já não precisam do dinheiro do prêmio, por exemplo. O evento, sim, precisa deles, financeiramente falando. Com essa independência financeira vem a liberdade.

Tem outra questão. Existem figuras conhecidas que ficaram conhecidas por se posicionarem politicamente. Você pensa no Manuel Neuer e lembra de declarações dele sobre direitos LGBTQ+. Isso não é mais um tabu.

Estamos vivendo a era do empoderamento dos atletas. Hoje é esperado que eles se posicionem e que falem de temas não relacionados diretamente com o futebol.

O senhor vê isso como uma evolução? Vejo como algo positivo a liberdade e a segurança para eles falarem. Mas é preciso deixar claro que não deve ser uma obrigação. Muitos são bem assessorados, preparados e têm informação. Vamos ouvi-los.

Vimos na Copa o capitão da seleção americana, Tyler Adams, ser questionado por um jornalista do Irã sobre discriminação racial nos EUA. Isso é como as coisas são atualmente no esporte. Os jogadores precisam estar preparados para isso. Quando eu joguei não era assim.

Quando eu tinha 19 anos e jogava, era muito ingênuo para me posicionar. Tenho até medo de pensar o que eu poderia ter dito se algum jornalista viesse me perguntar sobre questões políticas (risos). Certamente, falaria algo bem ingênuo ou estúpido.

Não acredito que os atletas devam ser obrigados a falar ou até cobrados. Eles precisam ter a liberdade de escolher. Se querem falar, ótimo.

Em 2021, você escreveu um texto no New York Times afirmando que os Jogos Olímpicos de Tóquio deveriam ser cancelados. Há quem defenda um boicote ao Mundial. É o seu caso? É difícil [boicotar], não vou mentir. Eu acolho e sou simpático com quem propõe isso, mas eu estou assistindo. Acredito que é possível fazer as duas coisas, criticar o sistema e apoiar os atletas que estão fazendo o trabalho deles.

Não posso aceitar que esses executivos da Fifa, com toda a corrupção deles, decisões ruins e malfeitorias, serão bem-sucedidos em roubar o jogo de um fã de futebol como eu.

O Mundial de 1978, realizado pela ditadura militar da Argentina, e as Olimpíadas de Berlim, organizadas por Adolf Hitler, ficaram marcados por beneficiarem regimes autoritários. O senhor acredita que a Copa do Qatar será lembrada assim no futuro? É difícil fazer previsões, é perigoso. Mas temos lições desses exemplos citados. Você olha a cobertura da mídia na época e vê registros de complacência e até elogios aos personagens políticos. Hitler foi descrito pelo New York Times como “um dos maiores, se não o maior, líder político do mundo atualmente”. Isso é um trecho literal de um texto do jornal. Não é o que acontece no Qatar.

O que sabemos é que, após as Olimpíadas em Berlim, Hitler viu sua popularidade aumentar. Isso o fortaleceu para as ações que teve nos anos seguintes.

Nos dois casos, na Argentina e em Berlim, os líderes autoritários prometeram o melhor evento possível aos dirigentes esportivos e que nada aconteceria de ruim durante ele. Assim que a festa acabou, a repressão só aumentou nesses dois países. Como será no Qatar depois de a Fifa sair e as atenções do mundo se dispersarem?

Há uma queixa do Qatar de que existe muito preconceito por ser um país árabe. Sim, nisso eu tenho que concordar. Existe preconceito. Precisamos destacar que o Qatar fez algumas alterações na sua legislação trabalhista para estrangeiros, houve reformas que talvez não teríamos sem o Mundial. É difícil saber se essas mudanças farão diferença quando o torneio acabar. Voltamos a mesma pergunta que eu fiz antes: o que acontecerá quando os holofotes do mundo desviarem o foco para outro lugar?


RAIO-X

Jules Boykoff, 52 anos, professor da Pacific University, nos EUA, estudioso do impacto das Copas e da Olimpíadas nos países-sede, e ex-jogador de futebol.

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Renata Silveira é 1ª mulher a narrar Copa na TV aberta

Quando a Globo começou a transmissão de Dinamarca e Tunísia na manhã desta quinta (22), pelo Grupo D do Mundial do Qatar, Renata Silveira se tornou a primeira mulher a narrar um jogo de Copa na TV aberta.

“Vai ser um dia muito especial por dois motivos. Primeiro, vou me tornar a primeira mulher a narrar um jogo de Copa do Mundo na TV aberta; e o outro é que vou narrar a Dinamarca, e todo mundo sabe, no ano passado, na Eurocopa, no jogo do mal súbito que o Eriksen teve, eu estava lá”, comentou Renata em um vídeo postado em suas redes sociais.

Renata se refere ao duelo entre Dinamarca e Finlândia, pela Euro, disputada em 2021. Principal jogador dinamaquês, Eriksen teve uma parada cardíaca e perdeu a consciência em campo. A narradora carioca de 33 anos era quem comandava o jogo e teve que mostrar habilidade para conduzir o período de 11 minutos em que o meia recebia atendimento.

“Poder narrar a Dinamarca e contar uma outra história vai ser especial demais”, completou. A postagem já tinha mais de 14 mil curtidas no início do jogo.

Esta barreira já havia sido superada em canais pagos. Na Copa de 2018, a extinta Fox Sports apostava em transmissões simultâneas comandadas por mulheres. Isabelly Morais, Manuela Avena e a própria Renata Silveira participaram de narrações ao longo do torneio da Rússia.

Na Copa do Qatar, antes do jogo desta terça (22), Natália Lara narrou para a Sportv Estados Unidos x País de Gales, na segunda (21), tornando-se a primeira mulher a narrar um jogo do torneio para o canal, que pertence ao grupo Globo.

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