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Marrocos avança na Copa do Mundo com time multiétnico – 07/12/2022 – Esporte

Filho de migrantes marroquinos, Achraf Hakimi, 24, nasceu na zona industrial de Madri, a capital espanhola. Chegou a ser convidado para defender a seleção da Espanha, mas preferiu atuar pelo país de origem de seus pais.

A escolha se mostrou decisiva na Copa do Mundo de 2022. Foi Hakimi o responsável pela eliminação do time chamado de Fúria no Qatar. Com uma cavadinha, converteu a última cobrança de pênalti na disputa das oitavas de final, na terça-feira (6), em Doha, após empate sem gols.

A opção de Hakimi pela formação de Marrocos é simbólica, por ser no sentido inverso da migração feita por seus pais. Na Copa do Mundo, vários jogadores nascidos ou criados na Europa vestem as camisas dos países de onde saíram seus ascendentes.

Por décadas, as equipes europeias se beneficiaram de saltos de qualidade técnica movidos pelos fluxos migratórios que ajudam a formar equipes multiétnicas.

A França é o melhor exemplo disso. Em 1998, conquistou seu primeiro título mundial com uma geração conhecida como “black, blanc, beur” (negra, branca e árabe).

Zinédine Zidane, o maior astro daquele elenco e carrasco do Brasil na decisão, com dois gols na vitória francesa por 3 a 0, tem ascendência argelina.

A fórmula se repetiu em 2018, na Rússia, onde a França conquistou o bi. Dos 23 convocados, 17 tinham ascendência estrangeira, entre eles novamente o principal nome do time, Kylian Mbappé, filho de um camaronês e de uma argelina.

Na busca pelo tri, o elenco também é globalizado. Cinco titulares que atuaram na estreia contra a Austrália, por exemplo, são filhos de migrantes (Mbappé, os zagueiros Upamecano e Konaté, o volante Tchouameni e o ponta Dembélé).

Das 32 seleções que foram ao Qatar disputar o Mundial, somente quatro não contam com atletas naturalizados: Arábia Saudita, Argentina, Brasil e Coreia do Sul.

Portanto, todas as equipes europeias seguem o exemplo francês com ao menos um naturalizado em seu plantel. Entre as oito seleções classificadas para as quartas de final, só duas, a brasileira e a argentina, não tem atletas com essa característica.

Holanda, Croácia, França, Inglaterra, Marrocos e Portugal (este com três nascidos em território brasileiro: Pepe, Matheus Nunes e Otávio) apostam na formação multiétnica.

Levantamento feito por produtores do podcast espanhol Fútbol Infinito apontou que 137 dos 832 convocados para a Copa (16,4%) foram naturalizados. Desta vez, a seleção que mais conta com jogadores naturalizados na Copa é Marrocos.

Metade do time não nasceu no país, 13 dos 26, incluindo Hakimi. Quando decidiu defender o país de origem de seus pais, ele simplesmente justificou sua decisão dizendo que “era o certo a se fazer”. “Eu simplesmente senti que seria melhor jogar por Marrocos. Conversei com meu agente e com a minha família sobre isso. Tenho orgulho de ser marroquino”, afirmou.

Na adolescência, o lateral jogou nas categorias de base do Real Madrid. Em 2016, com 18 anos, estreou pela equipe B dos madridistas. Um ano depois, chegou ao profissional.

Na equipe principal, no entanto, ele não teve muito espaço. Chegou a dar entrevistas dizendo que o clube não lhe dava as mesmas chances que oferecia a outros garotos. Fora da Espanha, passou por Borussia Dortmund e Inter de Milão antes de virar referência no time do Paris Saint-Germain.

Atualmente, ele não é o único que joga em um grande europeu. Assim como Hakimi, o lateral direito Noussair Mazraoui, 25, é nascido na Europa e filho de pais marroquinos. O lateral direito nasceu na Holanda, onde foi revelado pelo Jong Ajax. Atualmente, pertence ao Bayern.

Já o atacante Hakim Ziyech, 29, também nascido na Holanda, jogou no futebol holandês entre 2012 e 2020, quando se transferiu para o Chelsea, seu atual clube.

Referências da equipe, eles são os principais responsáveis por fazer Marrocos igualar as melhores campanhas de seleções africanas em Copas do Mundo, chegando às quartas de final, como fizeram Camarões (1990) e Senegal (2002).

O sonho do trio que simboliza a formação do plantel marroquino é superar agora essa barreira para chegar à semifinal e manter vivo o objetivo do título. Que, certamente, faria felizes torcedores em Marrocos e em diversos outros países.

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