Neymar é camisa 10 que nunca brilhou em Copas – 10/12/2022 – Esporte

Minutos após a abertura da Copa de 2014, o pai de Neymar, de mesmo nome, recebeu mensagem em grupo de WhatsApp de funcionários da sua empresa. Um deles elogiava a atuação do atacante e bajulava:

“Se a Copa do Mundo no Brasil é um sucesso, isso se deve, em grande parte, ao seu filho.”

Neymar havia acabado de fazer seu primeiro jogo em Mundiais. O Brasil vencera a Croácia por 3 a 1, com dois gols dele. Atuando em casa, a seleção era favorita ao título na mesma proporção em que o camisa 10 era candidato a craque da competição.

“Estou destruído psicologicamente. Essa, com certeza, foi a derrota que mais doeu, que me fez ficar paralisado durante 10 minutos e logo após caí no choro sem parar”, escreveu o brasileiro neste sábado (10), em sua conta no Instagram.

Um dia antes o Brasil havia sido eliminado pela mesma Croácia nas quartas de final da Copa do Qatar, nos pênaltis. Por ficar responsável pela quinta cobrança, ele nem sequer participou da disputa. No empate em 1 a 1, anotou o gol da equipe verde e amarela na prorrogação.

“Obrigado a todos pelo apoio com a nossa seleção. Infelizmente não deu… Vai doer por muito tempo, muito tempo”, completou.

Neymar chegou ao Qatar depois de dizer que este seria seu último Mundial embora, aos 30 anos, tenha idade para participar da competição a ser sediada por Estados Unidos, Canadá e México em 2026. Mas craques da seleção do passado não conseguiram estar em uma Copa aos 34.

Pelé disputou sua última em 1970, quando estava a três meses de completar 30 anos. Garrincha foi à Inglaterra, em 1966, com 33. É a mesma idade de Didi no Chile, em 1962, e de Zico em 1986. Na Argentina, em 1978, Rivellino estava com 32 anos. Ronaldo havia chegado aos 30 na Alemanha, em 2006, enquanto Ronaldinho Gaúcho tinha apenas 26.

Romário poderia ter sido campeão em 2002, com 36, mas não foi chamado, de forma controversa, por Luiz Felipe Scolari.

Dirigentes da CBF não têm ideia do que Neymar espera de seu futuro com a seleção. Após a eliminação diante da Croácia, ele disse não saber se volta. A declaração foi vista como normal pelo calor do momento, logo após a queda que o afetou muito.

Até agora, o saldo de Neymar em Copas não era o que poderia ser. Ou o que a mensagem bajulatória que o seu pai recebeu logo depois da estreia em 2014 sugeria.

No torneio no Brasil, ele teve uma boa fase de grupos, mas sua ascensão foi interrompida por contusão nas quartas de final, diante da Colômbia. Isso o poupou de tomar parte na goleada por 7 a 1 aplicada pela Alemanha na semifinal.


Neymar na Copa

  • Jogos: 3
  • Tempo jogado: 281 minutos
  • Finalizações totais: 10
  • Finalizações no gol: 7
  • Gols: 2
  • Faltas sofridas: 16
  • Faltas cometidas: 4
  • Passes longos: 3 (66,7% de acerto)
  • Passes curtos: 139 (81,3% de acerto)

Na Rússia, quatro anos mais tarde, teve Mundial tão discreto que ficou lembrado pelas simulações de faltas e os memes na internet. Sofreu lesão no tornozelo direito na estreia deste ano, diante da Sérvia. Voltou nas oitavas de final contra a Coreia do Sul e fez um belo gol diante contra a Croácia, apesar da eliminação.

Ele tem oito gols marcados na história do torneio, em 13 partidas. Foram quatro em 2014, dois em 2018 e outros dois no Qatar, em 2022. Ao lado de Rivaldo, é o 6º maior artilheiro da seleção em Copas. Fica atrás de Ronaldo (15), Pelé (12), Ademir de Menezes, Vavá e Jairzinho (todos com nove).

Os números não mostram o principal. Neymar não tem nenhum instante memorável nos três Mundiais que participou. Teve jogadas esporádicas, não atuações de brilho. Se ele é o maior candidato brasileiro a ser eleito melhor do mundo e o principal jogador do país, deve ser medido com a mesma régua de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

O português se despediu da competição neste sábado (10) sem ter o título mais importante do futebol. O argentino, também em seu adeus, está na semifinal.

A avaliação da comissão técnica da seleção, antes mesmo do embarque para o Qatar, era que Neymar tem plenas condições técnicas de jogar mais um Mundial. A questão a ser respondida é se terá condição física que o manterá no auge até lá. Além da vontade pessoal, claro.

“Não sei se voltarei a jogar no Brasil. Gostaria de jogar nos Estados Unidos, realmente. Gostaria de jogar lá por pelo menos uma temporada”, disse no início deste ano.

Apesar dos questionamentos e não ter tido uma grande Copa do Mundo no Qatar, ele sai do torneio ainda como a maior referência técnica e líder do elenco.

“Ele é o ídolo de todo mundo, nosso melhor jogador”, comentou Vinicius Junior.

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