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França chega à final com brilho de Mbappé e superação – 17/12/2022 – Esporte

A França chega à final da Copa do Mundo do Qatar provando que experiência faz diferença nos momentos decisivos.

Mesmo quando não foi superior tecnicamente aos adversários, como nas quartas de final contra a Inglaterra e na semifinal diante do time de Marrocos, os atuais campeões tiveram disciplina e concentração suficientes para alcançar as vitórias.

A França de 2022 é uma “equipe estranha”, escreveu o jornal L’Equipe ao descrever como uma “un exploit venu des tréfonds” (uma façanha das profundezas) a classificação do país para a decisão com a Argentina. A grande final será neste domingo (18), às 12h (de Brasília), em Lusail.

Não é o Brasil 1970, pois “faltam iluminações, magia e muita luz”, nem é a França de 2018, pela “falta de controle a certos níveis”, mas a França de 2022 é uma equipe com uma “ambição íntima cultivada na adversidade” e em curto espaço de tempo.

Nem o técnico Didier Deschamps discorda disso. “A França não foi perfeita”, ele reconheceu, repetindo como se fosse um refrão após os triunfos contra ingleses e marroquinos.

Foram os jogos mais difíceis da equipe no Qatar. Também foram nos quais Kylian Mbappé teve menos espaço, o que ajuda a entender a dificuldade francesa para se impor.

Em suas três primeiras partidas no Mundial, o camisa 10 foi acionado 39 vezes na área adversária, uma média de 13 por partida, segundo dados da Fifa. Contra Inglaterra e Marrocos, ele se viu nessa situação apenas 12 vezes, somando os dois confrontos.

A despeito dos números, porém, não é tão simples afirmar que ele foi menos decisivo, embora tenha passado em branco nessas partidas —ainda é o artilheiro da Copa, com cinco gols, ao lado de Messi.

Aos 23 anos e já em sua segunda final de Copa consecutiva, ele mostrou outro tipo de influência nos últimos dois confrontos. Se não tinha espaço, era porque a marcação, muitas vezes, era dobrada. Situação que, por outro lado, abria brechas para seus companheiros.

Foi assim que a muralha marroquina começou a ser destruída. Enquanto ele estava cercado por sete adversários e mesmo assim achou um jeito de finalizar para o gol, a sobra da defesa acabou caindo livre para Theo Hernández.

Isolado como em um oásis no meio do deserto, o lateral só teve o trabalho de finalizar para o gol, logo aos cinco minutos. Isso desmontou a estratégia de se fechar e buscar contra-ataques e obrigou o time de Marrocos a sair para o jogo.

Era tudo o que Mbappé queria, pois assim ele poderia usar justamente a principal arma marroquina para explorar a força de seus arranques pelas laterais.

Nem seu amigo e companheiro de clube Hakimi escapou de ser tirado para dançar, driblado e deixado para trás em campo. Se tinha dificuldade para finalizar, ao menos o camisa 10 francês esgotava as forças dos defensores. Eles já estavam extenuados quando Muani fechou a conta.

A despeito de todos os problemas físicos antes e durante o torneio, a França ainda tinha fôlego. Foi talvez sua maior prova de força nesta edição, superando a longa lista de baixas que formam um time desses que os torcedores têm decorado.

Pogba, Kanté, Benzema, Kimpembe e Nkunku nem jogaram no Qatar. Lucas Hernandez se machucou já durante a Copa. Upamecano e Rabiot não entraram na semifinal, abatidos por algo que Deschamps chamou de “uma doença que está acontecendo em Doha”.

Mesmo com as baixas de peças que foram importantes em 2018 e outros abatidos já durante a edição de 2022, a França mostrou que ainda tem muitas reservas daquela experiência vitoriosa.

Muito mais do que apenas os cinco remanescentes daquela conquista que iniciaram o duelo com os marroquinos (Hugo Lloris, Raphael Varane , Antoine Griezmann , Olivier Giroud e Mbappé). Há, também, a mesma frieza.

Mesmo na goleada sobre a Croácia, por 4 a 2, quando ficou com o caneco, o time francês cometeu alguns erros que poderiam ter lhe custado a vitória. Como aconteceu também diante da Inglaterra e de Marrocos nesta edição. Nos dois casos, nada abalou a máquina francesa de buscar vitórias.

O desafio agora é saber o quanto isso poderá fazer a diferença diante da Argentina. Quanto pode custar um erro contra Lionel Messi?

Muitas equipes sabem bem disso, mas a França não quer tomar conhecimento. Pelo menos não na prática. E espera contar com toda sua experiência para superar mais uma vez as adversidades.

“Sempre acontecem coisas em uma partida para as quais você não está preparado”, disse o capitão Hugo Lloris. “É aí que você precisa mostrar um bom espírito de equipe”, acrescentou.

“Somos bons como equipe porque sabemos como nos adaptar a diferentes cenários.”

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Final reúne dois candidatos a Pelé – 17/12/2022 – PVC

Mbappé saltou nos ombros de Giroud e levantou o braço esquerdo, com o punho cerrado, enquanto passava o direito em torno do pescoço do centroavante.

Tinha acabado de marcar, nos 3 a 1 contra a Polônia.

A imagem é igual à de Pelé comemorando o primeiro gol da final de 1970 saltando sobre Jairzinho. Únicas diferenças: o Rei tinha o punho direito fechado; sua festa foi na finalíssima.

A primeira página do jornal francês L’Equipe, de sábado (17), tem os dois retratos, lado a lado.

Messi tem outra foto, muito parecida, festejando um dos quatro gols do Barcelona sobre o Sevilla, triunfo por 4 a 2, em 2019. O gênio argentino saltou sobre o francês Dembelé, seu rival na decisão deste domingo (18), em Doha.

A fotografia original da comemoração do Rei com Jairzinho, do centésimo gol do Brasil em Copas, o primeiro da final contra a Itália, é do alemão Sven Simon. Dizem que não foi um repórter-fotográfico, mas um escultor.

Mbappé e Messi têm suas obras de arte nesta Copa do Mundo. A maneira como o francês observou o posicionamento do goleiro polonês Szczesny, esperou o que faria e jogou a bola no ângulo, nas quartas-de-final.

Ou Messi, ao levar o zagueiro croata Gvardiol até a linha de fundo, como Al Pacino conduzindo Gabrielle Anwar ao dançar o tango “Por una cabeza”, no filme “Perfume de Mulher”. O fim da dança foi o passe para Julián Álvarez marcar o 3 a 0.

O zagueiro Diallo, com quem Mbappé jogou no Monaco e no Paris Saint-Germain, contou ter escutado do camisa 10 da França elogios rasgados a Cristiano Ronaldo, a quem considera o melhor de todos os tempos. Há uma imagem belíssima de Mbappé com expressão de choro, ao receber a camisa de Cristiano, depois do empate por 2 a 2 entre franceses e portugueses, na Eurocopa.

Mbappé não conseguirá espalhar sua certeza sobre a superioridade de Cristiano Ronaldo, se não vencer Messi. Se ganhar, será o primeiro jogador, desde Pelé, bicampeão mundial antes dos 24 anos –o Rei fez isso aos 21.

As comparações não param. Aos 23 anos, Mbappé marcou 9 gols em 12 jogos de Copas, mais do que Pelé na mesma idade. Só que o brasileiro produziu suas sete esculturas em apenas seis partidas. Messi tem oito assistências e está empatado com Maradona, recordistas em Mundiais, neste critério.

Acontece que esta estatística só está disponível a partir de 1966 e Pelé deu dois passes para gols de Vavá, na Suécia, em 1958.

A realeza esteve presente em quase tudo nesta Copa. Seu estado de saúde preocupou a Fifa e os torcedores, que levaram homenagens aos estádios. O desempenho impressionante de Messi e Mbappé desperta até agora as comparações, a ponto da reprodução de imagens quase idênticas do camisa 10 da França, festejando com Giroud, na mesma posição em que o Rei comemorou com Jairzinho.

Ser Rei é completar 82 anos de vida e ouvir, por 64 deles, que Di Stéfano pode ter sido melhor, Cristiano Ronaldo mais goleador, Cruyff mais cerebral, Maradona mais genial, Messi, Mbappé e…

E a comparação é sempre com Pelé.

Isto é ser rei.

De tudo o que se transforma, só o que não perde o sentido é a qualidade. Não tem Tiktok, nem bate-boca caça-clique em redes sociais que substitua o protagonismo de três gênios, capturados por uma criação de 1826: a fotografia.

As três imagens quase iguais, com os sorrisos pós-gol de Messi, Mbappé e Pelé, serão eternas.


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Filho de banqueiro, Lloris busca feito inédito em Copas – 16/12/2022 – Esporte

Em uma seleção que há anos aposta na formação de elencos multiétnicos, com jogadores filhos ou netos de migrantes que foram para a Europa em busca de uma vida melhor, Hugo Lloris, 35, é uma exceção na equipe francesa.

Atleta que mais vezes vestiu a camisa de seu país, com 144 jogos, o capitão francês é filho de Luc Lloris, um banqueiro que fez fortuna em Monte Carlo, e de Christine Lloris, advogada que por anos trabalhou em um escritório inglês também com sede no Principado de Mônaco.

Os dois se conheceram gerindo investimentos estrangeiros no pequeno principado, mas logo se mudaram para Nice, onde a família se estabeleceu.

Antes de escolher o futebol como carreira, o goleiro que levantou a taça da Copa do Mundo em 2018 viveu na infância um dilema entre os campos e as quadras. Ele e o irmão gostavam de jogar tênis. E vencer o torneio de Roland Garros era um de seus sonhos.

Assim como embaixo das traves, o atual goleiro do Tottenham também era bom com a raquete, com propostas para jogar tênis no clube Des Combes, mas optou pelo futebol.

No início, precisou convencer seus pais. Ainda garoto, mas já como goleiro, ele atuava em um clube de bairro chamado Cedac, pelo qual se destacou a ponto de chamar a atenção do Nice. Quando o gigante francês quis contratá-lo, seus pais chegaram a vetar o negócio, pois a prioridade dele deveria ser os estudos.

Foram muitas conversas até eles serem convencidos. Prevaleceu não só a vontade do jovem, como a insistência do Nice pelo talento dele. Mas houve uma condição: os estudos não poderiam ser deixados de lado.

“Sou disciplinado e devo isso aos meus pais. Estudava de manhã e treinava à tarde. E no fim de semana tinha jogo, mas também revisão e aulas de idiomas que meus pais queriam que eu fizesse”, explicou Lloris.

Depois de três anos vestindo a camisa do Nice, de 2005 a 2008, ele se transferiu para o Lyon, à época, o clube mais poderoso do país. No mesmo ano, foi chamado pela primeira vez para defender a seleção francesa.

Foi quando começou a acumular marcas históricas. Atualmente, ele é o atleta que mais vezes defendeu a França, com 144 jogos, número que ele alcançou nesta edição da Copa do Mundo, ao deixar para trás o ex-defensor Lilian Thuram, que somou 142 ao longo de sua carreira.

Lloris empatou em número de jogos com o ex-atleta na partida contra a Inglaterra, pelas quartas de final. Foi um jogo especial para o goleiro, que chegou ao Mundial apontado como o ponto fraco da seleção.

A crítica vinha sobretudo da imprensa britânica, que acompanha diariamente o goleiro no Tottenham. Na véspera do confronto, o próprio goleiro disse que o confronto “teria um sabor especial”. Pelo menos para os franceses, foi bom.

Ele fez três grandes defesas ao longo da partida, uma delas num chute de Harry Kane, e ainda viu o atacante inglês isolar uma cobrança de pênalti na etapa final. O duelo terminou com 2 a 1 a favor da França.

Na fase seguinte, ao entrar em campo contra o time de Marrocos, ele completou 19 aparições em Copas do Mundo, empatando com Manuel Neuer, goleiro da Alemanha, campeão em 2014. Embaixo das traves, ninguém disputou mais jogos do que os dois.

Neste domingo (18), assim que começar a grande decisão contra a Argentina, no estádio Lusail, às 12h (de Brasília), o francês já vai se isolar nesta lista.

Mas ele ainda quer mais. Hugo Lloris terá a chance de ser tornar o primeiro capitão a levantar duas vezes a taça da Copa do Mundo.

Em 22 edições até aqui, nunca um capitão conseguiu repetir o gesto eternizado por nomes como Cafu, Dunga, Maradona, Matthäus, Carlos Alberto e Beckenbauer.

Será, ainda, uma boa chance para ele apagar a imagem ruim, embora menos lembrada, que ele deixou na decisão de 2018, na Rússia, onde mesmo com a França campeã sobre a Croácia, ele ficou marcado por uma falha importante no segundo gol dos croatas.

O goleiro tentou driblar Mandzukic, perdeu a bola e levou um dos gols mais pitorescos de uma final de Copa do Mundo. Sorte dele que a França já havia feito seus quatro gols e o duelo terminou 4 a 2.

Contra a Argentina, uma nova falha, poderá custará mais caro.

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Legislação do Qatar é cumprida quando convém, diz morador – 16/12/2022 – Esporte

O casal de veterinários paulistas Giovana Morais, 26, e Matheus Seixas, 34, se mudaram para o Qatar após uma proposta de trabalho de uma empresa privada. Ele foi em 2019 e ela, um ano depois. A desconfiança dos dois girava em torno da oferta, muito acima dos padrões do mercado brasileiro, e das diferenças culturais do país.

Mas se adaptaram —e sequer pensam em voltar tão cedo para o Brasil. O casal aponta que o pequeno país do Oriente Médio, que tem restritivas leis em relação a comportamento e crenças, “faz vista grossa” em relação às determinações escritas em sua legislação. Oferece também melhor qualidade de vida em relação à nação sul-americana.

“São exceções ou casos que vieram a público por alguma coisa. Acho que cada um pode ter a sua vida privada e ninguém precisa ficar sabendo de nada”, diz Seixas.

O Código Penal do Qatar tem uma seção para crimes sociais, que trata do comportamento em relação a religião, bebidas, apostas, adultério, imoralidade, fornicação, entre outros.

Apesar de altamente restritivo, moradores apontam que o regime do país, uma autocracia, não exige o cumprimento da lei à risca. Em alguns casos, o segredo é não tornar o feito público, dizem.

O código, por exemplo, determina pena de até cinco anos para aqueles que promoverem ou participarem de cultos de outra religião que não o islã. Ao mesmo tempo, Doha, capital do Qatar, tem uma igreja católica em um espaço reservado, escondido e afastado do centro, embora aberto.

O país também proíbe todos de se alimentarem durante o Ramadã, período em que os adeptos ficam em jejum do nascer ao pôr do sol. A pena é de três meses de prisão, além de possível multa de cerca de R$ 3.400.

Com a Copa do Mundo, houve dúvidas se a radicalidade das leis e orientações não seria um impasse aos turistas estrangeiros. Uma delas, a recomendação de que se vista roupas que escondam ombros e estejam abaixo dos joelhos, foi aliviada.

A situação foi percebida pela veterinária Morais, que antes via como problema entrar no shopping para fazer compras usando roupas que não cumprissem as instruções. Ao menos durante o campeonato, a situação mudou.

“Se eu estou de shorts e regata, eu não posso entrar, porque tem ‘dress code’, aí eu tenho que pensar na roupa que eu vou colocar. E durante a Copa, não”, diz.

Outro ponto de tensão para os turistas foram as leis que determinam que o sexo fora do casamento é crime, também parte dos códigos sociais. O casal pode ser condenado a até sete anos de prisão.

Durante o Mundial, porém, casais estrangeiros fora do matrimônio não tiveram problemas ao reservarem quartos juntos.

Longe do período do campeonato, moradores apontam que o governo não tem meios para fiscalizar esse tipo de infração. Ponderam que é importante, porém, manter a vida íntima em privacidade para não ter problemas e que o regime parece aplicar a lei quando conveniente.

À reportagem da Folha a antropóloga Francirosy Campos Barbosa, docente da USP e coordenadora do Gracias (Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes), lembra que em religiões como o islamismo adeptos não devem mostrar seus erros, embora os cometa.

“A religião tem uma coisa em que você não apresenta o seu pecado”, diz.

Quando o assunto é homossexualidade, porém, a vigilância é repressiva. No Qatar, ter relações com pessoas do mesmo sexo pode levar à prisão ou morte, no caso de muçulmanos. A Human Rights Watch, que frequentemente denuncia violações de direitos da comunidade LGBTQIA+ no país, afirma em um relatório de abril de 2018 que não teve conhecimento de episódios de execução.

Durante o Mundial a repressão contra a comunidade continuou, de modo que sua segurança não foi assegurada e sua presença, de forma representativa, não foi notada.

Um levantamento publicado no portal noruegues NRK, mostrou que hotéis credenciados pela Fifa para o campeonato se recusaram a hospedar um casal homossexual. De 69 acomodações, 3 disseram que não aceitariam a reserva e outros 20 pediram que o casal evitasse demonstrações públicas de afeto, sugerindo que não se vestissem como gays. Já 33 deles aceitaram a reserva.

Dois meses antes do início do campeonato, o emir Tamim bin Hamad Al Thani disse que torcedores homossexuais de todo o mundo eram bem-vindos “sem discriminação”.

No mesmo período em que a liderança máxima do país assegurou a segurança da comunidade, gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros foram arbitrariamente presos, segundo a Human Rights Watch.

No mês de início do Mundial, o ex-jogador da seleção do Qatar e embaixador da Copa Khalid Salman chamou a homossexualidade de “dano mental”. Ele acrescentou ainda que ser gay é um “haram”, pecado no islã.

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Portugal demite técnico que colocou Ronaldo no banco – 15/12/2022 – Esporte

Fernando Santos, 68, não é mais técnico da seleção de Portugal. Nesta quinta-feira (15), a federação de futebol do país anunciou que, em comum acordo, as partes resolveram encerrar o vínculo iniciado em setembro de 2014.

“A FPF (Federação Portuguesa de Futebol) e Fernando Santos entendem que este é o momento certo para iniciar um novo ciclo”, informou a entidade em nota.

Com o treinador à frente da equipe, Portugal conquistou os dois primeiros títulos da história de sua equipe principal, a Eurocopa de 2016 e a Nations League, em 2019.

Ele também dirigiu o país em duas Copas do Mundo, em 2018, na Rússia, onde a nação caiu nas oitavas de final, diante do Uruguai, na atual edição, no Qatar, onde os portugueses avançaram até as quartas, fase em que foram superados pelo time de Marrocos.

A campanha em solo qatariano foi marcada, ainda, pela postura rígida em relação a Cristiano Ronaldo, 37, o principal astro e capitão da equipe.

O camisa 7 deu um chilique após ser substituído antes da metade do segundo tempo do jogo com a Coreia do Sul, na última rodada da primeira fase.

A atitude dele forçou o comandante a barrá-lo no jogo seguinte, diante da Suíça, pelas oitavas de final. O jovem Gonçalo Ramos, 21, foi escolhido para o lugar dele e fez três gols na goleada por 6 a 1. Cristiano Ronaldo só entrou na parte final do duelo, já com o placar, praticamente, definido.

Fernando Santos revelou que teve uma conversa com o astro antes de barrá-lo e que, apesar de o jogador discordar, eles se entenderam.

Na fase seguinte, ele esquentou o banco novamente, diante de Marrocos, e quando entrou não conseguiu evitar a derrota por 1 a 0. Saiu de campo chorando pela eliminação na última Copa do Mundo da carreira dele.

Menos de uma semana depois, a direção da Federação Portuguesa não só o demitiu o técnico como informou que já está à procura de um novo treinador.

“Foi uma honra ter podido contar com um treinador e uma pessoa como Fernando Santos na liderança da seleção nacional. A FPF agradece a Fernando Santos e a sua equipa técnica os serviços prestados ao longo de oito anos ímpares e acredita que este agradecimento é feito também em nome dos portugueses.”

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Copa: Argentinos voam de última hora para o Qatar – 12/12/2022 – Esporte

No começo da Copa do Mundo, 40 mil argentinos viajaram para assistir ao torneio. Com o sucesso da seleção, mais torcedores se animaram a cruzar o oceano de última hora, e o número de apoiadores no Qatar aumenta a cada dia.

A Aerolíneas Argentinas vem colocando novos aviões no trajeto, e os preços aumentam quanto mais perto da data dos jogos. Os mais recentes saíram cerca de US$ 3.400 (cerca de R$ 18 mil), com uma escala em Roma.

O voo especial que foi aberto apenas para levar os fãs argentinos depois da última partida, contra a Holanda, saiu domingo (11), com todas as poltronas vendidas em menos de 24 horas. O último voo programado, que é o que levará para a final, caso a Argentina passe, sai dia 16 e pode custar até US$ 3.800 (R$ 20.200).

Uma das dificuldades de viajar assim às pressas é que existem alguns trâmites para o ingresso no país, como a obtenção do cartão Hayya, que precisa de alguns dias de antecipação para sair.

As entradas para os jogos são outra dor de cabeça. Nas últimas semanas, era possível ver argentinos checando mil vezes os sites de compra de ingressos para tentar conseguir um. Os que estão sendo oferecidos em revenda, neste momento, custam entre US$ 1.000 (R$ 5.300) e US$ 1.500 (R$ 7.900).

Pela tabela da Fifa, o preço dos ingressos comuns para a semifinal varia de R$ 1.900 a R$ 5.000.

Num país em que é proibido comprar dólares em papel-moeda além do limite de US$ 200 (R$ 1.064) e que, no mercado paralelo, o custo é dobro, os argentinos que se aventurarem a ir ao Qatar, ainda mais em cima da hora, aceitam gastar pequenas fortunas. Isso também por conta da criação do dólar Qatar, por parte do governo argentino, que tributa gastos com cartão de crédito no exterior.

Lorenzo Ferrarine, 23, e o primo Carlo receberam “um presente de Natal que vai valer por três”, disse o primeiro à Folha. “Nós nos comprometemos a não receber nenhum presente de familiares por três anos”, riem. Os pais de ambos juntaram-se para pagar os gastos dos dois tickets, mais alojamento e alimentação. “A estadia conseguimos fácil, porque temos amigos do clube que estão lá num apê alugado. Vai ficar apertado, mas são só algumas noites”.

“Depois do primeiro jogo, em que a Argentina perdeu, eu nem imaginava que iria correr por um ticket a essa altura”, diz Carlo. “Mas a seleção foi crescendo, começamos a conversar com nossos pais. Nós dois trabalhamos também, então podemos pagar algumas coisinhas. Depois tudo isso vai valer a pena, só de ver a Argentina campeã”, conclui.

Eles embarcaram num avião lotado que decolou no último domingo. “No começo, os voos iam com uma capacidade de 65%. Agora, estão lotados. Por enquanto, temos só um previsto para a final, mas dependendo da procura, é possível que coloquemos outro no mercado”, diz Damian Marsicano, da Aerolíneas Argentinas.

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Neymar é camisa 10 que nunca brilhou em Copas – 10/12/2022 – Esporte

Minutos após a abertura da Copa de 2014, o pai de Neymar, de mesmo nome, recebeu mensagem em grupo de WhatsApp de funcionários da sua empresa. Um deles elogiava a atuação do atacante e bajulava:

“Se a Copa do Mundo no Brasil é um sucesso, isso se deve, em grande parte, ao seu filho.”

Neymar havia acabado de fazer seu primeiro jogo em Mundiais. O Brasil vencera a Croácia por 3 a 1, com dois gols dele. Atuando em casa, a seleção era favorita ao título na mesma proporção em que o camisa 10 era candidato a craque da competição.

“Estou destruído psicologicamente. Essa, com certeza, foi a derrota que mais doeu, que me fez ficar paralisado durante 10 minutos e logo após caí no choro sem parar”, escreveu o brasileiro neste sábado (10), em sua conta no Instagram.

Um dia antes o Brasil havia sido eliminado pela mesma Croácia nas quartas de final da Copa do Qatar, nos pênaltis. Por ficar responsável pela quinta cobrança, ele nem sequer participou da disputa. No empate em 1 a 1, anotou o gol da equipe verde e amarela na prorrogação.

“Obrigado a todos pelo apoio com a nossa seleção. Infelizmente não deu… Vai doer por muito tempo, muito tempo”, completou.

Neymar chegou ao Qatar depois de dizer que este seria seu último Mundial embora, aos 30 anos, tenha idade para participar da competição a ser sediada por Estados Unidos, Canadá e México em 2026. Mas craques da seleção do passado não conseguiram estar em uma Copa aos 34.

Pelé disputou sua última em 1970, quando estava a três meses de completar 30 anos. Garrincha foi à Inglaterra, em 1966, com 33. É a mesma idade de Didi no Chile, em 1962, e de Zico em 1986. Na Argentina, em 1978, Rivellino estava com 32 anos. Ronaldo havia chegado aos 30 na Alemanha, em 2006, enquanto Ronaldinho Gaúcho tinha apenas 26.

Romário poderia ter sido campeão em 2002, com 36, mas não foi chamado, de forma controversa, por Luiz Felipe Scolari.

Dirigentes da CBF não têm ideia do que Neymar espera de seu futuro com a seleção. Após a eliminação diante da Croácia, ele disse não saber se volta. A declaração foi vista como normal pelo calor do momento, logo após a queda que o afetou muito.

Até agora, o saldo de Neymar em Copas não era o que poderia ser. Ou o que a mensagem bajulatória que o seu pai recebeu logo depois da estreia em 2014 sugeria.

No torneio no Brasil, ele teve uma boa fase de grupos, mas sua ascensão foi interrompida por contusão nas quartas de final, diante da Colômbia. Isso o poupou de tomar parte na goleada por 7 a 1 aplicada pela Alemanha na semifinal.


Neymar na Copa

  • Jogos: 3
  • Tempo jogado: 281 minutos
  • Finalizações totais: 10
  • Finalizações no gol: 7
  • Gols: 2
  • Faltas sofridas: 16
  • Faltas cometidas: 4
  • Passes longos: 3 (66,7% de acerto)
  • Passes curtos: 139 (81,3% de acerto)

Na Rússia, quatro anos mais tarde, teve Mundial tão discreto que ficou lembrado pelas simulações de faltas e os memes na internet. Sofreu lesão no tornozelo direito na estreia deste ano, diante da Sérvia. Voltou nas oitavas de final contra a Coreia do Sul e fez um belo gol diante contra a Croácia, apesar da eliminação.

Ele tem oito gols marcados na história do torneio, em 13 partidas. Foram quatro em 2014, dois em 2018 e outros dois no Qatar, em 2022. Ao lado de Rivaldo, é o 6º maior artilheiro da seleção em Copas. Fica atrás de Ronaldo (15), Pelé (12), Ademir de Menezes, Vavá e Jairzinho (todos com nove).

Os números não mostram o principal. Neymar não tem nenhum instante memorável nos três Mundiais que participou. Teve jogadas esporádicas, não atuações de brilho. Se ele é o maior candidato brasileiro a ser eleito melhor do mundo e o principal jogador do país, deve ser medido com a mesma régua de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

O português se despediu da competição neste sábado (10) sem ter o título mais importante do futebol. O argentino, também em seu adeus, está na semifinal.

A avaliação da comissão técnica da seleção, antes mesmo do embarque para o Qatar, era que Neymar tem plenas condições técnicas de jogar mais um Mundial. A questão a ser respondida é se terá condição física que o manterá no auge até lá. Além da vontade pessoal, claro.

“Não sei se voltarei a jogar no Brasil. Gostaria de jogar nos Estados Unidos, realmente. Gostaria de jogar lá por pelo menos uma temporada”, disse no início deste ano.

Apesar dos questionamentos e não ter tido uma grande Copa do Mundo no Qatar, ele sai do torneio ainda como a maior referência técnica e líder do elenco.

“Ele é o ídolo de todo mundo, nosso melhor jogador”, comentou Vinicius Junior.

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Copa: Protestos no Qatar marcam a era do atleta empoderado – 10/12/2022 – Esporte

O acúmulo de controvérsias fora de campo na Copa de 2022 gerou um efeito inédito registrado nos gramados do Qatar. Como nunca em um Mundial, jogadores se posicionaram, protestaram e foram questionados sobre temas que extrapolam o esporte.

“Vivemos a era do atleta empoderado”, analisa Jules Boykoff, 52, cientista político estudioso do impacto das Copas e das Olimpíadas nos países-sede.

Ex-jogador de futebol, ele era um aspirante em 1990, quando estreou com a seleção dos EUA contra o Brasil, no Torneio de Toulon, na França. A equipe brasileira, que tinha Cafu, venceu por 2 a 0.

Boykoff guarda com orgulho o confronto com o capitão do penta numa das competições mais relevantes de categoria de base do futebol. A lembrança o faz refletir sobre como o futebol e seus atletas mudaram, segundo ele.

“Eu era muito ingênuo para me posicionar politicamente. Tenho até medo de pensar o que eu poderia ter dito se algum jornalista viesse me perguntar sobre questões políticas”, afirma.

Questionamentos como os que o capitão da seleção americana, Tyler Adams, ouviu de um jornalista do Irã, sobre discriminação racial nos EUA, ou os que muitos atletas tiveram que responder em relação à morte de operários migrantes no Qatar e à perseguição aos gays no país da Copa.

Boykoff vê como uma evolução o protesto organizado por jogadores da Alemanha, que taparam a boca após serem impedidos de usar braçadeira de capitão com as cores do arco-íris. Para ele, a independência financeira de atletas consagrados deu a eles liberdade para se posicionarem.

“Felizmente, eles não dependem tanto de dirigentes”, diz. “Ótimo, mas isso não pode ser uma obrigação. Eles precisam ter a liberdade de escolher. Se querem falar, vamos ouvi-los”, completa.

O sr. cita em artigos e entrevistas o termo “sportswashing“. O que precisamente quer dizer com isso? Sportswashing acontece quando um líder político usa o esporte e eventos como Copa e Olimpíadas para tentar se mostrar legítimo, ganhar importância geopolítica e melhorar sua reputação. O que ele quer é desviar a atenção de problemas reais crônicos, como violação de direitos humanos.

Com o esporte, é possível cria espaço para avanços geopolíticos e econômicos. Não necessariamente isso se materializa, mas pode acontecer. Você viu, por exemplo, que o Qatar acabou de assinar com os EUA um novo acordo militar durante Copa do Mundo.

Mas isso é um jogo arriscado também? Os países acabam sob holofote… Sim, o Qatar mostra que apostar no sportswashing pode ser um jogo arriscado. Quem sedia um grande evento, ao mesmo tempo em que deseja que não se fale de alguns assuntos, atrai atenção para eles. Vimos isso com relação às leis anti-LGBTQIA+ e às condições de trabalho no Qatar, que ganharam grande atenção da mídia internacional. Não há garantia de que o líder político terá o que quer.

Mas isso é quando falamos de resultados na imagem externa. Temos que lembrar que muitas vezes o objetivo maior está relacionado ao público interno.

Por quê? Vou dar um exemplo, os Jogos Olímpicos de 2014, em Sochi. Vladimir Putin conseguiu, um ano antes do evento, aprovar uma lei de propaganda anti-gay. Isso teve uma repercussão internacional péssima, principalmente nos EUA. Sim, mas na Rússia ele usou isso, com outras medidas, é verdade, para aumentar a sua popularidade.

Ele criou, segundo os pesquisadores locais, um novo senso de nacionalidade russa. Os Jogos Olímpicos de Inverno contribuíram para isso. Após o evento, Putin tinha aprovação de 86%, indicaram pesquisas. Popular, ele anexou a Crimeia.

Temos exemplos do uso de eventos como um trampolim para a popularidade de líderes tiranos que implementam ações como o início de uma guerra.

Ao mesmo tempo, temos que lembrar que sportswashing não é observado apenas em países autoritários. Ele acontece em nações democráticas como Brasil e EUA. Em Los Angeles, o prefeito diz que os Jogos de 2028 vão acabar com o problema dos sem-teto na cidade, o que não parece factível. No Rio, prometeram a despoluição da baía da Guanabara. Essa crítica do uso político dos eventos precisa ser ampliada aos países democráticos também.

Normalmente quando o evento começa, o assunto principal acaba sendo o destaque esportivo, o que ajuda a esconder os problemas dos países. É difícil competir com Messi fazendo gols, com a histórias que o futebol proporciona… Sim, eu sou um apaixonado pelo esporte e sei disso. Mas se você comparar com o passado, acredito que há uma evolução. Antigamente, essa tendência de foco total no jogo se confirmava 100%. A Copa do Qatar rompeu com isso de alguma maneira. Há uma cobertura crítica em relação ao país.

Acredito que estamos vendo algo diferente. Primeiro, porque há muitos problemas no Qatar. Existem repórteres lá e eles estão vendo e relatando isso para uma audiência global. A segunda razão é que tivemos jogadores de diferentes países falando sobre questões sensíveis do país.

Quando a Dinamarca anunciou que iria vestir uma camisa com uma mensagem de defesa dos direitos humanos isso captou atenção. Quando os alemães foram impedidos de usar a braçadeira com o arco-íris e taparam a boca em protesto, isso propagou algo que não era comum.

O que explica esse engajamento maior de alguns atletas em causas que extrapolam o futebol? Tem um fator que é a independência financeira que jogadores mais consagrados conquistaram. Felizmente, eles não dependem tanto de dirigentes.

Pego o exemplo do Messi, que é um atleta que não se posiciona e é direito dele ser assim, não há crítica nisso que vou falar. Ele ganha US$ 40 milhões (R$ 212 milhões) por ano de salário. Isso sem contar patrocínios e outras receitas. A equipe campeã da Copa vai receber US$ 42 milhões (R$ 222 milhões) no total, para dividir com todos do time, comissão técnica e funcionários. A gestão do prêmio é da federação do país.



A Copa no Qatar quebrou o padrão de alienação em relação às mazelas do país que sedia os grandes eventos esportivos

Então, esses atletas já não precisam do dinheiro do prêmio, por exemplo. O evento, sim, precisa deles, financeiramente falando. Com essa independência financeira vem a liberdade.

Tem outra questão. Existem figuras conhecidas que ficaram conhecidas por se posicionarem politicamente. Você pensa no Manuel Neuer e lembra de declarações dele sobre direitos LGBTQ+. Isso não é mais um tabu.

Estamos vivendo a era do empoderamento dos atletas. Hoje é esperado que eles se posicionem e que falem de temas não relacionados diretamente com o futebol.

O senhor vê isso como uma evolução? Vejo como algo positivo a liberdade e a segurança para eles falarem. Mas é preciso deixar claro que não deve ser uma obrigação. Muitos são bem assessorados, preparados e têm informação. Vamos ouvi-los.

Vimos na Copa o capitão da seleção americana, Tyler Adams, ser questionado por um jornalista do Irã sobre discriminação racial nos EUA. Isso é como as coisas são atualmente no esporte. Os jogadores precisam estar preparados para isso. Quando eu joguei não era assim.

Quando eu tinha 19 anos e jogava, era muito ingênuo para me posicionar. Tenho até medo de pensar o que eu poderia ter dito se algum jornalista viesse me perguntar sobre questões políticas (risos). Certamente, falaria algo bem ingênuo ou estúpido.

Não acredito que os atletas devam ser obrigados a falar ou até cobrados. Eles precisam ter a liberdade de escolher. Se querem falar, ótimo.

Em 2021, você escreveu um texto no New York Times afirmando que os Jogos Olímpicos de Tóquio deveriam ser cancelados. Há quem defenda um boicote ao Mundial. É o seu caso? É difícil [boicotar], não vou mentir. Eu acolho e sou simpático com quem propõe isso, mas eu estou assistindo. Acredito que é possível fazer as duas coisas, criticar o sistema e apoiar os atletas que estão fazendo o trabalho deles.

Não posso aceitar que esses executivos da Fifa, com toda a corrupção deles, decisões ruins e malfeitorias, serão bem-sucedidos em roubar o jogo de um fã de futebol como eu.

O Mundial de 1978, realizado pela ditadura militar da Argentina, e as Olimpíadas de Berlim, organizadas por Adolf Hitler, ficaram marcados por beneficiarem regimes autoritários. O senhor acredita que a Copa do Qatar será lembrada assim no futuro? É difícil fazer previsões, é perigoso. Mas temos lições desses exemplos citados. Você olha a cobertura da mídia na época e vê registros de complacência e até elogios aos personagens políticos. Hitler foi descrito pelo New York Times como “um dos maiores, se não o maior, líder político do mundo atualmente”. Isso é um trecho literal de um texto do jornal. Não é o que acontece no Qatar.

O que sabemos é que, após as Olimpíadas em Berlim, Hitler viu sua popularidade aumentar. Isso o fortaleceu para as ações que teve nos anos seguintes.

Nos dois casos, na Argentina e em Berlim, os líderes autoritários prometeram o melhor evento possível aos dirigentes esportivos e que nada aconteceria de ruim durante ele. Assim que a festa acabou, a repressão só aumentou nesses dois países. Como será no Qatar depois de a Fifa sair e as atenções do mundo se dispersarem?

Há uma queixa do Qatar de que existe muito preconceito por ser um país árabe. Sim, nisso eu tenho que concordar. Existe preconceito. Precisamos destacar que o Qatar fez algumas alterações na sua legislação trabalhista para estrangeiros, houve reformas que talvez não teríamos sem o Mundial. É difícil saber se essas mudanças farão diferença quando o torneio acabar. Voltamos a mesma pergunta que eu fiz antes: o que acontecerá quando os holofotes do mundo desviarem o foco para outro lugar?


RAIO-X

Jules Boykoff, 52 anos, professor da Pacific University, nos EUA, estudioso do impacto das Copas e da Olimpíadas nos países-sede, e ex-jogador de futebol.

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Argentina: veja quem é Martínez, o goleiro que virou herói – 10/12/2022 – Esporte

Sem camisa e com o físico sem os músculos definidos dos jogadores de linha, o goleiro Emiliano “Dibu” Martínez procurava alguém com o olhar. Levou alguns segundos, até que achou o alvo no estádio de Lusail. Era o técnico da Holanda, Louis van Gaal.

“Eu te fodi duas vezes. Ok? Te fodi duas vezes!”, gritou, enquanto era contido por integrantes da comissão técnica. Antes de dar as costas, ainda xingou o rival mais uma vez.

As “duas vezes” foram as defesas das cobranças de Virgil van Dijk e Steven Berghuis na disputa de pênaltis. Lances que levaram a Argentina para a semifinal da Copa do Mundo do Qatar após o empate em 2 a 2 no tempo normal e prorrogação pelas quartas.

Os nervos estavam à flor da pele após trocas de empurrões, insultos e discussões acaloradas por 120 minutos. A seleção sul-americana vencia por 2 a 0 até os 38 minutos do segundo tempo e levou empate no último lance, aos 55.

A revolta de Dibu era porque Van Gaal disse que, na sua opinião, a Holanda levaria vantagem se a decisão acontecesse nos pênaltis. Para o goleiro, a opinião foi ofensiva porque mexeu em seu orgulho de especialista em defender essas cobranças.

Ele também se queixou (como todos os demais jogadores), da arbitragem do espanhol Mateo Lahroz. Chamou-o de “inútil”. Mas sua fúria maior era com Van Gaal a quem, em entrevista após a partida, mandou “calar a boca”.

“Dibu precisa desse tipo de incentivo para si mesmo. É o estilo dele para se motivar, para ir adiante e costuma dar certo”, afirma o seu irmão, Alejandro Martínez, que vive em Mar del Plata. “Algumas das coisas que ele disse já entraram para a história”.

No jogo de provocações, Martínez é um boleiro à moda antiga. Não tem o menor receio em xingar o rival, dançar na frente dele ao fazer a defesa e falar coisas que irritam. Repetiu a estratégia contra os holandeses. Todos os cobradores europeus ouviram alguma graça do sul-americano.

“Mirá como te como, irmão” (olha como te como, irmão), berrou para o colombiano Yerry Mina antes da decisão por pênaltis pela semifinal da Copa América de 2021. Como Dibu defendeu o chute do rival e a Argentina foi campeã, o momento entrou no imaginário do torcedor.

O goleiro ainda protagonizaria comercial da rede argentina de lanchonetes Mostaza em que repetia seu bordão.

Ele depois juraria ter provocado Mina porque os colombianos teriam chamado os argentinos de “pé-frios” por sempre perderem jogos decisivos.

“Dibu está vivendo seu sonho. Desde muito pequeno, desde que começou a jogar, ele dizia que seria titular da seleção argentina”, completa o irmão Alejandro.

Não apenas por causa do goleiro, mas também por ele, a Fifa abriu processo disciplinar contra a Argentina pelas declarações dadas após as quartas de final. Lionel Messi também questionou o árbitro espanhol e ainda perguntou “está olhando o quê, bobo?” para o atacante Wout Weghorst, na zona de entrevistas pós-jogo.

As provocações podem ser uma forma de proteção para quem teve de amadurecer rápido e longe de casa. Martínez, 30, jamais atuou como profissional na Argentina. Foi comprado pelo Arsenal (ING) quando tinha 16 anos, em 2008. Acabou emprestado para sucessivos times e, na maioria deles, não teve chance de jogar.

Apenas em 2020, aos 28, teve sequência na equipe inglesa, conquistou a Copa da Inglaterra e foi comprado pelo Aston Villa, onde hoje é titular.

“Ele chegou a questionar, em alguns momentos, se deveria continuar a carreira, já que não conseguia atuar”, lembra o irmão.

As provocações não são bem recebidas por todos nem mesmo dentro da Argentina. Nacho González, goleiro com passagens pela seleção, disse que Dibu estava deixando o personagem tomar conta. Alfio Basile, técnico histórico e que comandou a alviceleste no Mundial de 1994, pediu para que parasse com essas coisas.

O próprio Martínez reconheceu não ser essa imagem que deseja passar para as crianças que o têm como ídolo.

“Se eu pudesse dar um conselho aos jovens jogadores, seria para ter um psicólogo e fazer ioga ou pilates. Podem salvar suas carreiras”, afirmou em entrevista ao diário espanhol El País.

Apesar das explosões em campo, ele fala com uma psicóloga três ou quatro vezes por semana. Quando começou a chorar no vestiário após a vitória sobre a Colômbia na Copa América de 2021, foi para ela que ligou para se acalmar e ficar centrado.

Outros integrantes da seleção já disseram que falta ao goleiro “uns parafusos”. Não que ninguém tenha pensado nisso quando Dibu Martínez fez as defesas que levaram a Argentina para a semifinal da Copa do Mundo. Ser louco pode ter sido até uma virtude. Faz com que seja também adorado pelo torcedor que, na saída do estádio de Lusail, gritava seu nome na mesma intensidade que o de Messi.

É uma campanha para cumprir a promessa que fez a si mesmo: se tivesse chance de ser chamado para o Mundial, treinaria como nunca.

Para isso e em nome de ser campeão, abriu mão até da sua refeição preferida: batata Pringles com Coca-Cola.

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Brasil x Argentina: o jogo que não veremos – 10/12/2022 – Tayguara Ribeiro

Desde que o sorteio dos grupos e chaves da Copa do Mundo do Qatar de 2022 foi realizado, uma eventual semifinal entre Brasil e Argentina foi o prognóstico mais constante entre analistas e torcedores e nos bolões. Talvez um misto de favoritismo das duas seleções e da expectativa para que o jogo ocorresse.

Juntas, as duas seleções têm sete títulos mundiais. Delas surgiram Pelé e Maradona e tantos outros grandes craques. Nos atuais elencos, Messi e Neymar. Dois países de muita tradição e paixão pelo futebol.

A semifinal seria épica. Por tudo que representam para o futebol mundial, mas também pela sonhada final que teima em não acontecer. Uma decisão de Copa desejada por muitos, eu entre estes tantos.

Mas o chaveamento do torneio de 2022 deixou bastante improvável que as seleções brasileira e argentina se encontrassem na última partida da competição. Por isso, a semifinal era cantada com antecedência.

Os dois times já se enfrentaram em Copas, mas não em uma partida com este peso. No primeiro duelo, em 1974, Brasil venceu por 2 a 1. No torneio de 1978, Brasil e Argentina ficaram no 0 a 0. Em 1982, o Brasil derrotou os argentinos por 3 a 1. No último encontro, a Argentina eliminou o Brasil do Mundial de 1990, nas oitavas.

No Qatar, seria uma semifinal de Copa. Depois de longos anos sem título as duas potências do futebol ficariam frente a frente, neste ano. Quem passasse estaria na grande final. Mas não veremos este jogo. Pelo caminho a Croácia. E um gol de contra-ataque.

Faltavam nem quatro minutos para o fim do segundo tempo da prorrogação. O Brasil estava na frente. “Vai subir para quê?”, é possível entender Neymar questionando após o gol dos croatas.

A eliminação nos pênaltis que chegou para o Brasil, quase chegou para os argentinos, que também tomaram o empate no finzinho do jogo. Mas o time de Messi passou. Cumpriu sua parte para a aguardada semifinal.

Esta é a segunda vez que o Brasil descumpre o “trato” de disputar uma decisão contra a seleção argentina, em Copas recentes. No Mundial de 2014, realizado por aqui, o chaveamento permitia que as duas seleções se encontrassem em uma final.

Na decisão, nossos vizinhos estavam lá, aguardando. O Brasil, no caminho, encontrou com a Alemanha… Bem, não precisamos lembrar do que ocorreu.

Depois de um pesadelo como a eliminação brasileira é natural a busca por culpados ou, ao menos, tentar entender o que aconteceu, já que o país era tido como um dos favoritos.

E, sobre isso, muito ainda vai ser dito nos próximos meses. Um dos pontos, certamente, é que faltavam só quatro minutos. Quatro minutos. “Vai subir para quê?”

Pós fato consumado, cabe olhar o que resta. E não vejo terra arrasada.

Diferentemente de outras eliminações, estamos diante de uma geração em começo de ciclo, e não no final. Paquetá, Vinicius Júnior, Anthony, Rodrigo e Raphinha são ainda novos. Existe uma geração mais jovem e bastante promissora. Alguns de 16, 17 anos. Jovens demais para 2022, mas em boa idade em 2026.

Não sabemos como estarão na próxima Copa. Nem os que disputaram o torneio do Qatar e nem as promessas que ainda precisam se concretizar. Mas, eliminado, só resta ao Brasil imaginar cenários com esses jogadores e se preparar para a próxima Copa.

E, quem sabe, nos EUA, no México e no Canadá a seleção consiga realizar o tão sonhado jogo contra a Argentina.


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